Certa vez um repórter perguntou ao Mahatma Gandhi o que achava da civilização ocidental. 'Acho que seria uma boa idéia.', respondeu Gandhi. O universalismo europeu, a última obra do sociólogo estadunidense Immanuel Wallerstein, equilibra-se entre a máxima de Gandhi e a contribuição de autores como Edward Said (Orientalismo), que nos ajudam a 'universalizar nossos valores particulares e particularizar nossos valores universais'.
Wallerstein ataca a retórica hegemônica da mídia e dos intelectuais que apelam para uma visão universal apoiada nos 'direitos humanos'; na 'superioridade da civilização ocidental' (posto ser 'a única assentada nos ideais democráticos'); na modernidade; na tecnociência e na inexorabilidade das leis da economia liberal."
Mas a real importância do livro reside, em primeiro lugar, na argumentação enfática de que esse discurso serve de base ideológica aos poderosos de plantão desde o século XV (a querela entre Bartolomé de las Casas e Juan Ginés de Sepúlveda merece destaque). Em seguida, Wallerstein mapeia a história dessa retória ("universalismo europeu"), para traçar os movimentos de oposição e resistência a ela, ou seja, a luta por um "universalismo universal" (apoio concreto aos oprimidos e perseguidos e busca constante de um universalismo coletivo). Para o autor os desdobramentos do confronto entre esses dois universalismos determinará o desenho do sistema-mundo futuro. |