Emir Sader

Autor

Emir Sader nasceu em São Paulo, em 1943. Formado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, é cientista político e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). É secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso) e coordenador-geral do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Coordena a coleção Pauliceia, publicada pela Boitempo. É colunista da Carta Maior e do Blog da Boitempo, com o qual contribui quinzenalmente, às quartas.
 
Breve biografia de Emir Sader por Carlos Eduardo Martins

Emir Sader nasceu em 1943, em São Paulo, segundo filho do imigrante libanês, Nahul Sader, e da professora de piano Ercilia Simão, pais também de Eder Sader e Eliana Sader. Emir estudou no Grupo Escolar Floriano Peixoto, engajou-se no movimento estudantil e a partir de então passou a sofrer forte influência do tio Aziz Simão – que se tornará professor de sociologia da USP após a cegueira interrompe-lhe a carreira de farmácia –, para quem lia junto com seu irmão Eder os clássicos da sociologia. Através de Aziz, Emir entrou em contato com grandes intelectuais do pensamento crítico paulista como Antonio Cândido, Florestan Fernandes e Paulo Emílio Salles Gomes. Seu engajamento político o levou a formar, com Eder, a Política Operária (POLOP) que reuniu um grupo dirigente cujos integrantes se destacariam mais tarde como importantes referências intelectuais da esquerda latino-americana e mundial, como Ruy Mauro Marini, Michael Löwy, Theotonio dos Santos, Vânia Bambirra, Moniz Bandeira e Paul Singer, entre outros.

Ingressou em 1962 no curso de filosofia da USP, onde graduou-se em 1965. Mestre em filosofia política, em 1968 defendeu a dissertação Estado e Política em Marx, frente à banca examinadora composta por Ruy Fausto, Bento Prado Jr. e Jose Arthur Gianotti. Perseguido politicamente pela ditadura, Emir passou a clandestinidade em 1970 e ao exílio no Chile, sendo condenado pelo regime militar, à revelia, a dois anos de prisão. No Chile tornou-se professor assistente da Faculdade de Economia da Universidade do Chile e vinculou-se como pesquisador ao Centro de Estudos Sócio-econômicos (CESO) que reunirá parte do pensamento crítico mundial em seminários e conferências de grande impacto e notoriedade. Esta experiência foi destruída em 1973, pelo golpe militar chileno, quando então passou ao segundo exílio em Buenos Aires – onde sua segunda companheira, Maria Regina Marcondes Pinto, é assassinada e desaparecida pela Operação Condor durante a ditadura de militar dirigida por Jorge Rafael Videla –, seguido de períodos em Paris, Roma e finalmente Havana.

Retornou ao Brasil em 1983, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) e defendeu sua tese de doutorado em 1987, A crise hegemônica e sua ideologia: teorias do Estado brasileiro durante o regime militar, orientada por Francisco Weffort. Tornou-se por concurso professor do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (UERJ) em 1987-88, do Departamento de Sociologia (USP), entre 1988-97, e do Departamento de Políticas Sociais da Faculdade  de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 1993-2009.

Pesquisador do FLACSO (1986-88), coordenador do Programa de Estudos da América Latina e o Caribe do Centro de Ciências Sociais da UERJ (1996-1999), Emir Sader foi eleito Presidente da Associação Latino-americana de Sociologia (ALAS) entre 1997-99. Atualmente é Secretário-Executivo do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (CLACSO), por dois mandatos consecutivos, 2006-09 e 2009-2012, coordena o Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, desde 2000, e leciona no Departamento de História da UERJ desde 2009. 

É autor de uma vasta obra bibliográfica, composta por 96 livros (entre autoria, co-autoria e organização), 154 publicações como capítulos de livros, 243 em periódicos e 736 em jornais de notícias e revistas. Foi ainda o organizador (com Ivana Jinkings, Carlos Eduardo Martins e Rodrigo Nobile), autor e principal idealizador da Latinoamericana: Enciclopédia Contemporânea de América Latina e do Caribe, vencedora do prêmio Jabuti de melhor livro do ano de não-ficção em 2007.

Entre seus livros mais recentes estão A nova toupeira – Os caminhos da esquerda latino-americana – traduzido e publicado na Argentina, na Espanha e na Inglaterra –, de sua autoria, e O Brasil, entre o passado e o futuro – este organizado em parceria com Marco Aurélio Garcia –, ambos publicados pela Boitempo Editorial.

 

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