Leia análise de Marx sobre a revolução na França

02.05.2011

Livraria da Folha
Da Redação.


Lançamento da Boitempo Editorial, O 18 de Brumário de Luís Bonaparte é um famoso texto do filósofo Karl Marx, e integra o décimo volume da coleção Marx-Engels.

A obra analisa o processo de Revolução de 1848 comandado por Luís Bonaparte que resultou no golpe de Estado de 1951, na França. Marx descreve o papel da luta de classes, os poderes da ditadura e a questão dos movimentos burgueses.

"Marx propõe, pela primeira vez, a tese de que o proletariado não deve assumir o velho aparato estatal, mas desmantelá-lo", escreve a nota de abertura da edição, traduzida diretamente do alemão por Nélio Schneider.

Prefácios de Karl Marx (à 2º edição de 1869) e Friedrich Engels (de 1885), além do prólogo escrito por Herbert Marcuse completam o trabalho.

Leia trecho de O 18 de brumário de Luís Bonaparte

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Em alguma passagem de suas obras, Hegel comenta que todos os grandes fatos e todos os grandes personagens da história mundial são encenados, por assim dizer, duas vezes. Ele se esqueceu de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.

Caussidière como Dantons, Luís Blanc como Robespierre, a Montanha de 1848-51 como a Montanha de 1793-95, o sobrinho como o tio. E essa mesma caricatura se repete nas circunstâncias que envolvem a reedição do 18 de brumário (No dia 18 de brumário, 9 de novembro de 1799, Napoleão Bonaparte derrubou mediante um golpe de Estado, o Diretório Francês, tornando-se ditador com o título de primeiro-cônsul. Com a "reedição do 18 de brumário, Marx se refere ao golpe de Estado desferido por Luís Bonaparte no dia 2 de dezembro de 1851).

Os homens fazem a sua própria história; contudo, não a fazem de livre e espontânea vontade, pois não são eles quem escolhem as circunstâncias sob as quais ela é feita, mas elas lhes foram transmitidas assim como se encontram.

A tradição de todas as gerações passadas é como um pesadelo que comprime o cérebro dos vivos.E justamente quando parecem estar empenhados em transformar a si mesmos e as coisas, em criar algo nunca antes visto, exatamente nessas épocas de crise revolucionária, eles conjuram temerosamente a ajuda dos espíritos do passado, tomam emprestados os seus nomes, as suas palavras de ordem, o seu figurino, a fim de representar, com essa venerável roupagem tradicional e essa linguagem tomada de empréstimo, as novas cenas da história mundial.