Vivendo no fim dos tempos

10.07.2012

Revista Forum
Emir Sader


Já se falou de tudo a respeito do filósofo esloveno Slavoj Žižek: que é stalinista, anticomunista, anti-semita e pró-Israel, materialista vulgar e idealista desvairado. Ainda assim, ele não deixou de falar sobre tudo – ou quase tudo – e de nos surpreender sempre.

A premissa subjacente do presente livro é simples: “o sistema capitalista global se aproxima de um ponto-zero apocalíptico, e seus ‘quatro cavaleiros do Apocalipse’ são a crise ecológica, as consequências da revolução biogenética, os desequilíbrios do próprio sistema (problemas de propriedade intelectual e a luta vindoura por matérias primas, comida e água) e o crescimento explosivo de divisões e exclusões sociais.”

Esse é o cenário de Vivendo no fim dos tempos, que faz uma descrição implacável das catástrofes que nos ameaçam e, ao mesmo tempo, critica o catastrofismo, buscando sempre o lugar onde a história pode ser revertida.

A negação, a raiva, a barganha, a depressão e a aceitação são as plataformas a partir das quais Žižek dispara seus dardos contra a utopia liberal, a teologia política, o retorno da crítica da economia política, o surgimento do cogito proletário e, por fim, contra a causa recuperada, na qual ele resgata as utopias contemporâneas.

Sua conclusão é, como sempre, paradoxal: no século XX a esquerda sabia o que fazer, mas tinha de esperar pacientemente que as condições estivessem maduras para isso. Agora, não se sabe o que fazer mas a urgência nos impele assim mesmo à ação, diante das situações catastróficas que enfrentamos.

Žižek confirma neste livro que é dos poucos pensadores contemporâneos indispensáveis, porque a leitura de um texto seu toca sempre nas cordas mais sensíveis da nossa razão, da nossa emoção e do nosso coração Nunca se sai o mesmo após a leitura de um texto desse inquieto autor.