10 livros essenciais sobre o trabalho

15.05.2013

Filosofia Conhecimento Prático
Kátia Santos


O TRABALHO DOS MONGES
Autor:
Santo Agostinho de Hipona
Publicação: 405-406
Obra de cunho monástico, O Trabalho dos Monges é um elogio do filósofo cristão Agostinho de Hipona (354-430) ao trabalho manual como forma de combate ao ócio e, consequentemente, aos vícios do corpo e da alma. Rezar e trabalhar eram as atividades por excelência dos monges – e dos homens cristãos em geral – e os conduziriam a um estágio de elevação e conexão com Deus e a vida do espírito. Santo Agostinho dava especial ênfase ao sentido religioso da agricultura.

A RIQUEZA DAS NAÇÕES
Autor:
Adam Smith
Publicação: 1776
Com o pomposo título Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas das Riquezas das Nações, a obra-prima do filósofo e economista escocês Adam Smith (1723-1790), composta por cinco partes, aborda em seu primeiro tomo a divisão do trabalho. O livro teve outras quatro edições publicadas em vida por Smith, considerado o "pai" do liberalismo econômico. A Riqueza das Nações é famosa por sua defesa do livre-mercado, pela tese-metáfora da "mão invisível" e a formulação de uma teoria do "valor-trabalho".

O CAPITAL
Autor:
Karl Marx
Publicação: 1867 (tomo I)
Dividido em tomos, nesta obra Karl Marx empreende a mais refinada interpretação crítica do capitalismo. O capital é um tratado de economia política que analisa o processo de produção, acumulação e circulação de capital. O conceito de mais-valia é um entre tantos achados notáveis do te()rico e revolucionário alemão. Marx foca seu olhar para o trabalhador oprimido e desvenda os métodos dos grandes industriais para a obtenção de lucrá. Os livros 2, 3 e 4 de O Capital foram lançados após a morte de Marx.

A ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO
Autor:
Max Weber
Publicação: 1904-1905
Qual o impacto de uma ética religiosa na organização econômica de uma sociedade? Essa é a pergunta central que motivou o sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) a pesquisar a influência do protestantismo, sobretudo o calvinismo, no desenvolvimento do capitalismo na Europa e, no exemplo mais estudado, nos EUA. A "ética protestante", para Weber, pressupunha o trabalho abnegado como um mecanismo de salvação. Os valores protestantes favoreceriam, portanto, à racionalização, à acumulação e à produtividade.

A CONDIÇÃO HUMANA
Autora:
Hannah Arendt
Publicação: 1958
Obra ambiciosa da filósofa e teórica política Hannah Arendt (1906-1975), A Condição Humana é um tratado de fôlego sobre a dimensão social, política, antropológica, psicológica (existencial, em síntese) do homem. A concepção de Arendt sobre o tema retoma os clássicos gregos ao dividir em três as atividades essenciais do homem: labor (sobrevivência do homem, nível biológico), trabalho (criação, técnica, fabricação, arte) e ação (realizada entre os homens, no plano discursivo). A teórica alemã foi uma crítica da teorização marxista sobre o trabalho.

OS TRABALHADORES
Autor:
Eric Hobsbawm
Publicação: 1964
Os Trabalhadores: Estudos sobre a História do Operariado, do historiador de orientação marxista Eric Hobsbawm (1917-2012) trata da história do movimento operário na Europa do final do século 18 até a Primeira Guerra Mundial. Revolução industrial, sindicalismo, revoltas ludistas*, movimentos socialistas, condições de trabalho, todos os principais aspectos do período analisado por Hobsbawm estão contemplados nos ensaios. Os Trabalhadores é um símbolo do modo de produção da historiografia marxista britânica, ainda que não seja o livro mais conhecido de Eric Hobsbawm.

A LOUCURA DO TRABALHO
Autor:
Christophe Dejours
Publicação: 1980
Psiquiatra e psicanalista francês, com doutorado em Medicina, Christophe Dejours estudou a relação entre trabalho e saúde mental e detectou uma tendência crescente no mundo contemporâneo de surgimento de doenças psiquiátricas derivadas das demandas exigidas pelo cotidiano em fábricas e escritórios e as estratégias de defesa adotadas pelas pessoas. A precarização dos vínculos trabalhistas, as metas inatingíveis, o temor do desemprego, o assédio moral, a rotina massacrante são elementos geradores de angústia e sofrimento.

METAMORFOSES DO TRABALHO
Autor:
André Gorz
Publicação: 1988
Um dos fundadores do Le Nouvel Observateur, o filósofo austro-francês André Gorz (1923-2007) escreveu diversos livros e artigos abordando a questão do trabalho. No entanto, sua principal obra sobre o assunto é Metamorfoses do Trabalho: Crítica da Razão Econômica. A evolução histórica do trabalho é examinada com o suporte de grandes pensadores, de Karl Marx e Hannah Arendt, e mostra como a razão econômica e a divisão do trabalho ultrapassam os limites das organizaçôes e alcançam a dimensão subjetiva dos indivíduos.

A CORROSÃO DO CARÁTER
Autor:
Richard Sennett*
Publicação: 1998
Este livro do sociólogo americano Richard Sennett possui um subtítulo emblemático: "as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo: Sennett procura demonstrar o quanto essa natureza "flexível" do novo capitalismo – mundializado, informatizado, etc – impacta no caráter, isto é, o valor ético, e na vida pessoal dos indivíduos. Para tanto, traz uma comparação entre o trabalhador fordista e o trabalhador flexibilizado. Ao contrário do fordista, o trabalhador flexibilizado, acossado pelas incertezas, não consegue estabelecer vínculos e ter perspectivas de longo prazo.

INFOPROLETÁRIOS
Organizadores:
Ricardo Antunes* e Ruy Braga
Publicação: 2009
Organizada pelos cientistas sociais Ricardo Antunes (Unicamp) e Ruy Braga (USP), lnfoproletários: a degradação real do trabalho virtual compila artigos de pesquisadores acerca das condições de trabalho dos trabalhadores da era da informação, ou seja, dos operadores de call Center aos analistas de sistemas. Uma das autoras da coletânea, Ursula Huws, professora da Universidade Metropolitlna de Londres, chega a cogitar a hipótese do surgimento de uma nova classe: o cibertariado.

*





*Ludistas
Revolta operária que atingiu seu auge entre 1811 e 1812, o movimento ludista iniciou-se na Inglaterra, mas se espalhou por outros países da Europa. O ludismo era uma reação à crescente mecanização da indústria e o consequente aumento do desemprego. Os operários invadiam as fábricas para quebrar as máquinas em ações noturnas. Reprimidos fortemente, inclusive com penas de morte. o movimento ludista arrefeceu. O nome ludismo vem de seu líder. o lendário operário têxtil Ned Ludd.

*Richard Sennett
Graduado pela Univesity of Chicago (1964), com Ph.D pela Harvard University (1969), o cientista social e músico americano Richard Sennett é professor na London School of Economics, New York University e no MIT. Além de A Corrosão do Caráter, tem publicado no Brasil livros como O Artífice, Respeito e A Cultura do Novo Capitalismo, todos publicados pela Record .Richard Sennelt possui um site na internet.

*Ricardo Antunes
Especialista em Sociologia ao Trabalho. Ricardo Luiz Coltro Antunes é professor titular do Departamento de Sociologia do IFCH•Unicamp. Mestre em Ciência Política (Unicamp, 1980), doutor em Sociologia (USP. 1986) e livre-docente em Sociologia do Trabalho (Unicamp, 1994). Ricardo Antunes foi Visiting Research Fellow na University of Sussex, na Inglaterra. Antunes escreveu e organizou alguns dos mais relevantes livros sobre o tema "trabalho" no Brasil, entre os quais Adeus ao Trabalho? (Cortez. 2010), O Continente do Labor (Boitempo, 2011) e A Dialética do Trabalho (Expressão Popular, 2004).