A TEORIA DA REVOLUÇÃO NO JOVEM MARX

10.06.2013

Le monde diplomatique - Livros
Fabio Mascaro Querido

Michael Löwy, Boitempo Editorial

Originalmente concebida como tese de doutorado, defendida em 1964, na Sorbonne, sob orientação de Lucien Goldmann, mas publicada em livro apenas em 1970, a obra continua uma referência para os estudiosos de Marx e do marxismo. Nesse livro, seu primeiro grande trabalho teórico, Lowy revela uma leitura singular do marxismo, que caracterizaria (com nuances e inflexões) toda sua trajetória intelectual, ainda hoje infatigavelmente ativa.

Além da influência metodológica de Goldmann (e de sua redefinição sociológica das teses de História e consciência de classe, de Lukács), a interpretação do pensamento do jovem Marx, realizada por Löwy, é de inspiração política "luxemburguista", assentada na ide ia de que a emancipação social não pode ser senão uma autoemancipação dos oprimidos, em cuja práxis revolucionária coincidem a transformação das condições objetivas e a mudança subjetiva dos sujeitos em luta.

Não por acaso, a "teoria da revolução" é, para Löwy, o eixo que articula, no jovem Marx, a confluência das diversas problemáticas (filosofia, economia e política) que, juntas, constituirão - sobretudo a partir de 1845, com as Teses sobre Feuerbach - o corpus teórico do que viria a ser o marxismo.

Por isso, na contramão do althusserianismo hegemônico nos anos 1960, a formação do pensamento de Marx é compreendida não como desenvolvimento de um sistema conceitual autônomo e "fechado", e sim como expressão teórico-dialética (dinâmica) das potencialidades políticas do proletariado então emergente.

No livro, portanto, além de contribuir para os debates marxistas sobre a gênese do marxismo, Löwy formula as bases de uma leitura "aberta" dessa tradição teórica, o que lhe permitiria, mais tarde, com o auxílio das reflexões de Walter Benjamin, interpelar os novos desafios impostos pela crise ecológica (e civilizatória) contemporânea e pelo congestionamento histórico das grandes narrativas abstratas do progresso.

Fabio Mascaro Querido
Doutorando em Sociologia no IFCH-Unicamp.