Livros em profusão

15.06.2013

Caros Amigos - Ideias de Botequim - RP
Renato Pompeu


Este mês a safra de livros é grande. Para começar, um livro de mais de 150 anos que continua plenamente atual: O Capital - Livro I, de Karl Marx, editado pela Boitempo em setembro, mas que só agora chega em grande escala às livrarias. Além da tradução praticamente perfeita de Rubens Enderle, o livro conta com preciosos estudos introdutórios do marxista brasileiro Jacob Gorender, do marxista francês Louis Althusser e do marxiano brasileiro José Arthur Giannotti. Todos insistem nas dificuldades da leitura dessa obra tão importante na prática e tão complexa na teoria. Desta vez, porém, os leitores e leitoras de Marx contam com uma ajuda fundamental: o lançamento, também pela Boitempo, de Para entender "O capital - Livro 1", do geógrafo inglês David Harvey, em tradução também de Enderle, um guia de leitura destinado ao público culto que quer realmente aproveitar mais plenamente a obra de Marx. Esperemos, nos dois casos, a publicação dos volumes restantes.

Se O capital é importante para entendermos a crise estrutural global que o capitalismo está sofrendo hoje em dia, um livro de leitura bem mais amena nos facilita entender o Brasil contemporâneo: O Brasil, memórias romanceadas, ou melhor, estetizadas, do grande jornalista Mino Carta, 63 anos de profissão, que faz reveladoras incursões pelos bastidores da política e do jornalismo brasileiros nas últimas décadas, dando, audaciosamente, nomes aos bois. A edição é da Record.

Também importante para entender a trajetória recente do Brasil é Um Gosto Amargo de Bala, da atriz, jornalista e militante Vera Gertel, publicado pela Civilização Brasileira. Trata das lembranças de uma esquerdista que lutou contra o regime militar e que, observando o heroísmo de uns e a covardia de outros, soube refinar seus ideais.

Se o povo brasileiro é sofrido, o povo palestino sofre muito mais do que o nosso. Em sua obra Viagem à Palestina - Prisão a céu aberto, também da Civilização Brasileira, a jornalista brasileira Adriana Mabilia relata o que viu no país ocupado por Israel: "Apesar das restrições da falta de emprego, das condições precárias do sistema de saúde, das privações impostas por Israel, mais de 4 milhões de palestinos resistem e permanecem nos territórios ocupados. Alguns por falta de opção, mas a maioria por acreditar na justiça da causa palestina. A força e o amor à terra são passados de geração a geração."

Votando ao Brasil, Frei Betto novamente nos surpreende, com o romance Aldeia do Silêncio, edita do pela Rocco. É uma obra intrigante, com cinco personagens inusitados: três pessoas, uma cadela e um urubu. Além das inusitadas peripécias romanescas, o romance funciona como uma elegia ao silêncio, importante nesses tempos tão cheios de som e fúria.

Nem sempre lembramos que uma das razões principais de falarmos português no Brasil é o Tratado de Tordesilhas, cidadezinha espanhola na qual, em 1494, foi firrmado o acordo entre Espanha e Portugal, dividindo o Novo Mundo recém-descoberto exclusivamente entre esses dois países. Em dição da GloboLivros, o historiador canadense Stephen R. Bown conta, no livro 1494, como uma briga de família na Espanha medieval dividiu o mundo ao meio e como, por traz de tudo, estão intrigas fatais entre reis, hierarcas da Igreja, navegantes, e batalhas sangrentas entre navios de guerra em alto mar. Saber de onde viemos pode não nos ajudar a dizer para onde vamos, mas sem dúvida é útil para entendermos por que estamos onde e tamos.

Comparando a situação em que estavam há apenas um século, as mulheres avançaram muito no mundo contemporâneo, mas o livro, lançado pela Publisher, A Imagem da mulher na mídia - controle social comparado, da consagrada intelectual Rachel Moreno, em colaboração com Tereza Verardo, revela que o Brasil ainda está muito atrasado no que se refere à imagem da mulher na mídia, em relação a outros países em que a luta das mulheres conseguiu resultados mais concretos do que aqui. Pergunta, na apresentação, a secretária de Comunicação da Central Única dos Trabalhadores, Rosane Bertotti: "No mundo da propaganda, a mulher é refletida com base em estereótipos - fúteis, submissas, pouco inteligentes , objeto sexual etc. Onde estão as mulheres de verdade na televisão?".

Renato Pompeu é jornalista escritor.