A cidade e a coletividade

11.01.2014

O povo | Política
Érico Firmo

Escrevi em outras oportunidades que, para muita gente, a cidade é lugar de passagem, que apenas interliga locais privados. E pela qual tudo que se quer é ultrapassar o mais rápido possível, em segurança e sem ser incomodado. A partir de tal perspectiva, pensar em espaços coletivos e em convivência simplesmente não faz sentido. Essa é a lógica que nos conduziu à Fortaleza atual. A questão é mais profunda que a discussão sobre esfera pública. É necessário discutir a nós mesmos, construtores dessa cidade. Na coluna de 17 de agosto passado, referi-me a artigo do geógrafo britânico David Harvey, que coloca questões centrais para essa empreitada que é reconstruir uma cidade: “A questão do tipo de cidade que desejamos é inseparável da questão do tipo de pessoa que desejamos nos tornar”. Quando se fala de cidade, é do tipo de vida e do tipo de relações que desejamos estabelecer.