Lukács para convertidos

18.03.2014

Folha de São Paulo | Guia de livros
Oscar Pilagallo

Dirigidos ao leitor acadêmico, dois livros sobre o húngaro György Lukács (1885-1971) procuram demonstrar a atualidade do pensamento do filósofo e crítico literário marxista.

Lukács foi um dos intelectuais mais controversos do século passado. Comunista, sujeitou-se aos ditames do stalinismo, renegando parte de sua produção em autocríticas públicas para satisfazer o partido.

Em meados dos anos 1950, como muitos outros intelectuais de esquerda, passou a criticar o comunismo soviético, mas permaneceu leal ao partido. Foi por criticar o comunismo por dentro que Lukács ganhou projeção no campo marxista.

Como critico, defendeu o romance realista e considerou o modernismo uma arte decadente, o que teve sua dose de influência no realismo soviético, a estética oficial sob Saálin.

István Mészáros tenta achar unidade no pensamento de seu mestre e conterrâneo. Se tem êxito, é porque fecha o foco na questão da dialética, rejeitando a dicotomia entre o jovem Lukács, influenciado entre outros por Max Weber, e o Lukács da maturidade, marxista.

O outro livro é uma coletânea de artigos, produto de um seminário realizado em 2009 na Universidade Estadual Paulista.

Mais abrangente, a obra é dividida em três grandes temas: dialética e trabalho; política e revolução; estética e luta ideológica. Os dois livros têm evidente consistência acadêmica, mas, num momento em que a esquerda identifica uma crise estruturai do capitalismo, limitam-se a pregar para convertidos.