O novo tempo do mundo

30.05.2014

Folha de S.Paulo | Guia Folha
Caio Liudvik

Às vésperas do primeiro aniversário das manifestações de junho de 2013, ler Paulo Arantes é de grande relevância, mesmo para quem não se inclui entre seus pupilos - muitos dos quais na linha de frente da onda de protestos.


Paradoxalmente, não se trata aqui de um manifesto sobre a redenção iminente de um "novo mundo". Pois o filósofo tece uma crítica radical de uma civilização marcada pela colonização do futuro, pelo estreitamento ao mero mais do mesmo de uma vida em margens apertadas, a um permanente estado de exceção que não tem nada a oferecer senão repressão, "gestão" e esgotamento da imaginação política.


Inércias que porém se transmutam involuntariamente em combustíveis da revolta popular e estudantil contra as formas tradicionais da representação partidária, do pão e circo e da sociedade mercantilizada. Daí as insurgências, sejam "ordeiras" ou não, significarem "profanações" (Agamben) catárticas cometidas por "gente sem nome que não está nem pedindo para sair nem aceitando as porradas da vida".

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