Mudanças no transporte público ficam para 2015

13.08.2014

Valor Econômico
Vanessa Jurgenfeld e Luciano Máximo

Os principais projetos de lei sobre mudanças no transporte público coletivo ganharam dificuldade adicional às vésperas das eleições. As propostas, que tiveram alguma aceleração no Legislativo após as manifestações lideradas pelo Movimento Passe Livre (MPL) no ano passado, dificilmente devem ser aprovadas nos próximos meses. Pesquisadores entendem esse é um período mais difícil de mexer no orçamento público, contrariando interesses, como também é mais complexo o debate com as empresas de transporte, grandes financiadoras de campanhas eleitorais.

O professor de ciência política da Faculdade Cásper Líbero e um dos autores do livro Cidades Rebeldes, que discutiu a questão da mobilidade no contexto das manifestações de junho de 2013, João Alexandre Peschanski, não acredita em obstáculos orçamentários e classifica a proposta de passe livre no Brasil como uma “utopia real”. Para ele, é preciso mudar o enfoque das discussões e pensar nos ganhos econômicos que a aposta no transporte coletivo pode trazer na redução dos gastos em saúde, por exemplo.

“Gestores públicos e políticos têm uma visão estreita sobre o assunto. Na sociedade em que eu quero viver não tem quatro horas de trânsito para chegar e voltar do trabalho. Quanto isso custa?”, questiona Peschanski. “O transporte individual faz com que a vida seja muito mais cara. Há um sistema de fiscalização com custo elevadíssimo, muitos problemas de saúde por contaminação do ar, muitos acidentes. Uma sociedade baseada no transporte público zero pode ser mais barata levando em consideração esses pontos.Um meio de fomentar o transporte público é torná-lo gratuito, as sociedades saem lucrando”.

Confira a reportagem na íntegra na edição do dia 13 de agosto do jornal Valor Econômico