"Claun" e "Cânone gráfico" pela Boitempo

10.11.2014

HQ Maniacs
Carlos Costa

Após o lançamento do álbum Último aviso, da alemã Franziska Becker, o selo Barricada da Boitempo Editorial traz mais dois lançamentos para livrarias e comic shops.

O primeiro deles é Claun – A saga dos bate-bolas, HQ de um projeto transmídia do roteirista de cinema Felipe Bragança, do filme Praia do Futuro, com arte de Daniel Sakê, Gustavo M. Bragança, Diego Sanchez e Aloyzio Zaluar. No início do século XX, quando o Carnaval era uma festa para poucos e o Rio de Janeiro passava por grandes transformações, grupos de mascarados se reuniam pelos becos da cidade e enfrentavam a ordem pública e a repressão. Diziam ter o corpo fechado, falar com espíritos e ter poderes sobre-humanos. Eram chamados de “clóvis” ou “bate-bolas”. Hoje em dia, a tradição continua viva no Rio, sobretudo nos bairros do subúrbio. Os bate-bolas habitam as ruas, disputando o imaginário da cidade. Uma gangue de arrastão poético, à margem do Carnaval convencional, e uma tradição que há anos é criminalizada pela elite carioca. Imerso nesse universo mitológico, o roteirista idealizou o projeto CLAUN, cuja primeira fase é composta por uma websérie e um filme-piloto, a segunda pela graphic novel e a terceira, um jogo de videogame, já em produção. O livro é composto por cinco contos, fábulas urbanas em torno da tradição e das lutas históricas dos grupos de clóvis: “As primeiras máscaras”, “Jonas perde seu rosto”, “Daury e a morte”, “Meu rosto quando imagino” e “Amilcar e os espíritos”. Complementam o álbum fotografias das décadas de 1970, 1980 e 1990, mostrando as mudanças e continuidades na tradição dos bate-bolas.

O outro lançamento é o primeiro volume da antologia Cânone gráfico, trazendo 51 histórias em mais de 400 páginas, reunindo nomes como Will Eisner, Robert Crumb, Hunt Emerson e Peter Kuper. Organizada pelo escritor Russ Kick e lançada originalmente nos Estados Unidos em 2012, a obra se consagrou como uma bíblia para aqueles que se interessam por quadrinhos. Com o intuito de adaptar obras da literatura mundial para HQs, o primeiro volume da trilogia traz releituras de clássicos como A Divina Comédia, de Dante Alighieri; Sonhos de uma Noite de Verão, de William Shakespeare; e As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift. Reúne também clássicos de todas as partes do mundo, começando por grandes épicos, como A Epopéia de Gilgamesh, das tábuas babilônicas, a Ilíada e As Mil e Uma Noites, passando pelas tragédias de Eurípides e Aristófanes. O livro faz uma abordagem ampla da literatura religiosa, desde o Novo e o Velho Testamento até a poesia sufista de Rumi, o Mahabharata hindu e o Popol Vuh, livro sagrado dos maias, assim como histórias da Ásia, da China e do Tibete. Além de ensaios ilustrados de Benjamin Franklin e Platão, o volume conta com a rara adaptação feita por Robert Crumb de Diário Londrino, de James Boswell.