Cientistas políticos fazem panorama do feminismo atual

20.12.2014

Rede Brasil Atual
da Redação

Questões de gênero são um dos eixos centrais da nossa sociedade. Por isso, é necessário entendê-las para identificar as causas das desigualdades. É o que aponta o livro Feminismo e política: Uma introdução, dos cientistas políticos Flávia Biroli e Luis Felipe Miguel (Editora Boitempo). “As relações de gênero atravessam toda a sociedade, e seus sentidos e seus efeitos não estão restritos às mulheres. O gênero é, assim, um dos eixos centrais que organizam nossas experiências no mundo social. Onde há desigualdades que atendem a padrões de gênero, ficam definidas também as posições relativas de mulheres e de homens – ainda que o gênero não o faça isoladamente, mas numa vinculação significativa com classe, raça e sexualidade”, afirmam os autores na introdução do livro.

Os professores da Universidade de Brasília (UnB) discutem as principais contribuições da teoria política feminista produzida a partir dos anos 1980. Eles fazem uma espécie de mapeamento de diferentes correntes e posições de autores. Eles discutem como o patriarcado reduz as oportunidades de participação das mulheres; os mecanismos sociais que dificultam e limitam a participação delas nas esferas públicas; tratam sobre a autonomia restrita das mulheres; esmiuçam a divisão sexual do trabalho; discutem sobre os estereótipos de “masculino” e “feminino” que a sociedade ainda incute nas crianças; e escancaram como, em alguns casos, as mulheres ainda são consideradas como “objetos” de satisfação masculina. Tudo isso, conectado com questões de classe e de raça, que estão intrinsecamente ligadas ao tema.

Entre os dez capítulos estão “O feminismo e a política”, “O público e o privado”, “Justiça e família”, “A igualdade e a diferença”, “Gênero e representação política”, “Autonomia, representação e opressão”, “O debate sobre o aborto”, “O debate sobre a pornografia” e “O debate sobre a prostituição”. O livro trata sobre o assunto de forma didática, o que permite a compreensão do tema mesmo àqueles que não são familiarizados com esta questão.

A capa de Feminismo e política: Uma introdução traz uma liustração de Antonio Kehl sobre o retrato da militante americana Angela Davis, feito por Edgar Garcia. Símbolo da luta por igualdade de raça e de gênero desde a década de 1970, Davis simboliza os avanços que foram conquistados ao mesmo tempo que relembra que ainda falta muito para a construção de sociedades mais justas. “Apontar as desigualdades ajuda a entender por que, apesar dos direitos conquistados nas últimas décadas, as mulheres permanecem 'excluídas da política' e continuam a ser o grupo de maior vulnerabilidade”, escreve na orelha do livro a pesquisadora Renata Gonçalves, da Universidade Federal de São Paulo.