Leituras para entrar no clima da retomada de relações entre Estados Unidos e Cuba

19.12.2014

O Globo
da Redação

O ano de 2014 termina com a notícia histórica da retomada de relações entre os Estados Unidos e Cuba. Para celebrar, O Globo e o “The New York Times” selecionaram alguns dos melhores livros sobre a ilha, seus personagens marcantes e suas conexões com os norte-americanos.

 

O homem que amava os cachorros, Leonardo Padura (Boitempo)

Escrevendo no The Times, Álvaro Enrigue disse que o Padura "conhecido por thrillers policiais, fez a sua entrada para o modernismo latino-americana escrevendo um romance russo". Seu livro tem três vertentes, envolvendo Trotsky; seu assassino, Ramón Mercador; e um escritor cubano frustrado. O escritor encontra um homem pelo qual aprende sobre Stalin e outros horrores do século XX e também sobre as coisas em que ele é ignorante por causa da política do governo cubano de ‘ignorância programada’."

Antes que anoiteça, Reinaldo Arenas (Record)

Arenas foi perseguido em Cuba por seus livros e por ser homossexual, e acabou fugindo para os Estados Unidos. Ele cometeu suicídio em Nova York em 1990, aos 47 anos. "Antes do Anoitecer", sua autobiografia, foi mais tarde transformado em um filme estrelado por Javier Bardem. No “The New York Times Book Review”, Roberto González Echevarría escreveu: "Qualquer pessoa que sinta a tentação de ser indulgente ao julgar o governo de Castro deve primeiro ler este livro apaixonado e muito bem escrito."

O homem que inventou Fidel, Anthony DePalma (Companhia das Letras)

O americano DePalma conta a história do jornalista Herbert Matthews, que em 1957 publicou no "The New York Times" uma entrevista com Fidel Castro provando que o líder da guerrilha cubana não estava morto, como afirmava Fulgencio Batista. O livro mostra como os artigos de Matthews impulsionaram a revolução e ajudaram a moldar a imagem de Fidel.

Paradiso, José Lezama Lima (saíram duas edições este ano, uma pela Estação Liberdade e outra pela Martins Fontes)

Este romance escrito por Lima, um importante poeta cubano, é sobre o amadurecimento de um menino e da sua busca por seu pai morto. No “The New York Times Book Review”, Edmund White escreveu que Lima "não só tem o poder de criar absorvendo imagens memoráveis, como ele também colocou essas imagens em uma vasta rede de significado filosófico e mítico."

Trilogia suja de Havana, Pedro Juan Gutiérrez (Alfaguara)

Ambientadas na Cuba dos anos 1990, quando o país estava mergulhado na crise causada pelo colapso da União Soviética, as histórias do cubano Pedro Juan Gutiérrez mostram a miséria e a degradação do país naquele momento, confrontadas pelo humor corrosivo e pelas obsessões sexuais de seus personagens.

Três tristes tigres, Guillermo Cabrera Infante (José Olympio)

No “The New York Times Book Review”,, Charles Wilson escreveu que o romance mais célebre de Infante "toma emprestado o lúdico e a forma de James Joyce" Ulisses "e" Finnegans Wake ", como ele descreve a vida decadente de jovens que explorar sociedade cabaré de Havana durante o Batista era. "

Che Guevara: uma biografia, Jon Lee Anderson (Objetiva)

O livro de Anderson, publicado em 1997, foi a primeira grande biografia do revolucionário Che Chuevara. No “The New York Times Book Review”, Peter Canby escreveu que "Anderson faz um trabalho magistral em evocar um personagem complexo de Che e em separar o homem do mito ao descrever o papel crítico desempenhado por ele em um dos períodos mais sombrios da guerra fria. Em última análise, no entanto, a força do seu livro está em sua riqueza de detalhes ".

A ilha, Fernando Morais (Companhia das Letras)

Lançado em 1976, o livro-reportagem do jornalista Fernando Morais, fruto de três meses de apuração em Cuba, causou enorme repercussão em tempos de ditadura e Guerra Fria, chegando a ser apreendido pela polícia brasileira. Relançado anos depois, continua a ser um documento valioso sobre aquele momento da história de Cuba e da América Latina.

Fidel Castro: uma biografia consentida, Claudia Furiati (Revan)

A jornalista e historiadora Claudia Furiati trabalhou nove anos - cinco deles vivendo em Cuba - nesta que foi a primeira biografia consentida de Fidel, publicada em 2002. Baseado em farta documentação e diversas entrevistas, inclusive com o biografado, o livro ganhará edição atualizada em 2015.