Sinistros mascarados

07.01.2015

Brasil de Fato
Aldo Gama

Figuras sinistras, mascaradas, vestidas com roupas coloridas e levando uma bola amarrada em uma corda, uma bandeira, ou uma sombrinha, os bate-bolas vêm assustando várias gerações de crianças através da história. Reunidos em grupos de números variáveis trajando fantasias iguais, levam o “terror” aos moleques dos subúrbios cariocas com seus apitos estridentes e com o barulho que a bola de plástico faz ao bater no chão. Isso caso não encontrem em seu caminho outro bando de clóvis, o que pode terminar em violência. A origem dos bate-bolas remonta aos colonizadores portugueses que tiveram suas tradições influenciadas por festas como a Folia de Reis. O florescimento da brincadeira nos subúrbios do Rio de Janeiro, no início do século 20, também pode ser creditado à existência de matadouros na região que forneciam as bexigas de boi utilizadas para a confecção das bolas utilizadas nas primeiras saídas dos foliões.

O nome “clóvis” seria uma corruptela de clown, palavra em inglês que quer dizer palhaço. Ou ainda do alemão, que repete a grafia, mas com outra pronúncia, prolongando a vogal.

Para Felipe Bragança, no texto de apresentação de Claun, “o encontro entre a sedução do clown alemão e a algazarra do careto português seria a origem da estética dos nossos clóvis – a qual seria complementada pelas tradições das religiões afro-brasileiras que traziam à baila a ideia de incorporação, de transformação da identidade no momento ritualístico de celebração da divindade.”