Feminismo e política

19.04.2015

Livros | Le Monde Diplomatique
Diana Assunção

Em um momento no qual os debates feministas adentram todos os âmbitos da política, o livro de Flávia Biroli e Luis Felipe Miguel serve como um guia sobre as teorias feministas atuais. Os entendimentos distintos das desigualdades e suas raízes dão o contorno para as teorias feministas que há mais de um século estão em debate, desde a luta pelo sufrágio universal. Partindo da década de 1960, os autores apontam uma clivagem estratégica dos anos 1980 em diante, quando “ganhou grande visibilidade um discurso feminista em que as estruturas sociais são menos questionadas. [...] Luta-se por mais mulheres chefiando empresas, sem oque o capitalismo seja desafiado. Ter mais mulheres na política é uma prioridade, mas os limites da democracia representativa deixam de ser um problema”.

Feminismo e política recoloca um debate de estratégias no feminismo contemporâneo que diz respeito à relação com a luta contra o modo de produção capitalista. Como os autores apontam, grande parte do feminismo da década de 1980 “expõe uma perspectiva de classe restrita e cultiva a ilusão de que a superação das desvantagens de algumas teria necessariamente efeitos positivos sobre outras”.

Nesse sentido, é também sintomático que muitos dos feminismos da segunda metade do século XX tenham abandonado ou ignorado a experiência de uma das mais importantes obras da classe operária internacional, a Revolução Russa de 1917. Essa experiência é retratada por meio do olhar das mulheres em outra publicação da Boitempo em parceria com as Edições Iskra, intitulada Mulher, Estado e revolução, mostrando o quão poderosa é a luta das mulheres aliada à luta pela revolução socialista. Contra qualquer teoria que defenda o status quo desta sociedade, o horizonte socialista e revolucionário precisa ser tomado como condição para a libertação das mulheres.