"Escrevo até o limite do permitido"

22.06.2015

Entrevista | Revista Época
da Redação

Leonardo Padura é o nome mais forte da literatura cubana atual. Tão forte que consegue escrever um romance histórico sobre os horrores stalinistas pós-revolução e perseguição que levou ao assassinato de Trótski (O homem que amava os cachorros). Ou usar a fuga de judeus para Cuba durante a guerra para discutir o livre-arbítrio em seu país (em Hereges, a ser lançado em setembro pela editora Boitempo). Apesar dos recados implícitos, e de viver em Havana, ele não sofreu represálias nem foi cerceado. “Escrevo até o limite do que se considera apropriado ou permitido em determinado momento, ou um pouco além”, diz o autor, de 60 anos, que estará na Feira do Livro de Canoas e na Festa Literária Internacional de Paraty. Observador atento do regime castrista, Padura diz que, seis meses depois do reatamento das relações diplomáticas com os Estados Unidos, mudanças ainda não são perceptíveis a maioria da população. O futuro? Para ele, fazer previsões sobre Cuba “não é um exercício recomendável”.

Há um ano o senhor afirmou que o indício de que Cuba estava mudando era a publicação de O homem que amava os cachorros, livro crítico contra os horrores do stalinismo. De lá pra cá, os Estados Unidos reataram relações diplomáticas com seu país e várias empresas se preparam para se instalar em Cuba. Quais foram as mudanças mais marcantes nesse período?

Começamos um processo lento, no qual já houve feitos notáveis, como o encontro entre os dois presidentes, ambos sorridentes, na Cúpula do Panamá, e a retirada de Cuba da lista dos países que financiam e aprovam o terrorismo. Mas, de concreto, pouco aconteceu. A questão dos negócios e dos investimentos ainda está no ar. É preciso haver mudanças nas leis americanas e ver qual a resposta do governo cubano, que não parece muito disposto a ceder território, ao menos em áreas como telecomunicação. Os paladares (restaurantes privados, geralmente instalados em áreas turísticas) já recebem muitos turistas americanos, e seus donos ganham dinheiro. Mas, para o restante da população, a vida segue igual, na mesma luta pela sobrevivência diária.

Moisés Naim, intelectual venezuelano, autor de Fim do poder, e Jorge Castañeda, cientista político e autor de uma biografia de Che Guevara, afirmaram, em entrevista a Época, que cuba só prosperará economicamente quando Fidel e Raúl Castro deixarem o poder. O senhor concorda com isso?

Detesto fazer previsões para o futuro, ainda mais sobre Cuba. Nos anos 1990, foram publicadas dezenas de livros sobre o fim do castrismo. Ants de 17 de dezembro, quanos cientistas políyicos anteviram que havia conversa entre os dois países? Fazer previsões sobre Cuba não é um exercício recomendável.

Leia a entrevista completa na edição de 22 de junho de 2015 da Revista Época.