Fim do embargo dos EUA é fundamental, diz Leonardo Padura

05.07.2015

Pop & Arte | G1
da Redação

A retomada das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos foi um dos principais temas abordados por Leonardo Padura durante coletiva de imprensa da 13ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). O escritor cubano classificou o fim do embargo americano como “fundamental”.

“Fundamental para que se estabeleça de forma mais normal uma relação entre Estados Unidos e Cuba, porque evidentemente não é normal uma relação entre dois países quando um impõe embargo sobre o outro. Estão dando um exemplo muito importante para o mundo: que é possível, apesar das diferenças, haver diálogo. Acredito que o mundo precisa de diálogo”, disse Padura.

“Verei algo que nunca pensei na minha vida ter oportunidade de presenciar, creio que é um ato simbólico muito importante”, falou ele, que acredita que Barack Obama e Raúl Castro estão dando um exemplo ao mundo “reconhecendo as diferenças” e, mesmo assim, “insistindo em seu projeto político”.

Otimismo

Padura ainda lembrou que “não estava em Washington ao lado de Obama, não estava em Havana ao lado de Raúl Castro” e sequer estava em sua casa em Cuba, por isso sabia mais ou menos a mesma coisa que todo mundo sobre a abertura das embaixadas.

“O processo me parece muito importante, porque tem dois elementos que são muito visíveis. Primeiro, um caráter simbólico: imagine que em Havana vai se erguer em 15 dias uma bandeira norte-americana. Em segundo lugar, onde há 15 anos se diziam horrores do imperialismo, onde se acusava ‘Tio Sam’ de todos os males, vai se erguer uma bandeira norte-americana”, disse Padura.

Ainda sobre a relação entre os dois países, que haviam rompido os laços diplomáticos em 1961, o escritor falou que “não sabe o que vai acontecer”, mas que sabe que o que está ocorrendo é importante. Garantiu que tanto ele quanto a esposa estão otimistas.

Crise do impresso

A realidade e a literatura cubana foram outros temas abordados por Padura. Ele disse acreditar que os autores de Cuba que escrevem romances têm a responsabilidade de escrever uma “crônica da vida cubana” que não pode ser vista nos jornais.

“Sempre digo que, em 40 anos, quando alguém ler os jornais oficinais cubanos e ler meus romances, vai achar que são países diferentes. Posso garantir que o país dos meus romances se parece muito mais com a realidade do que o país dos jornais”.

Padura lembrou que, na década de 1990, foi marginalizado por ser um escritor de romances policiais. Ele comentou que quer “ser visto como um escritor, não como um ativista político” e também sobre uma “crise” do mercado impresso.

“Acredito que estamos agora em um momento de extremos muito complexos, e, especificamente o jornalismo, em termos gerais, sejam jornais ou revistas, vive uma crise que eu acredito que seja uma crise de crescimento, como consequência das novas tecnologias disponíveis”, concluiu.