Um drama universal (e político) à cubana

14.06.2015

Diário do Nordeste
Dellano Rios

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O homem que amava os cachorros é o nono romance do escritor e jornalista cubano Leonardo Padura. A obra foi lançado, originalmente, em 2009; e apareceu traduzida no Brasil apenas em 2013. O livro ajudou a chamar atenção para a produção do autor, um veterano com entrada em diversos mercados, mas, até então, pouco no País.

A obra se equilibra entre a ficção e o relato histórico. As ações são narradas, no ano de 2004, por Iván - um aspirante a escritor que atua como veterinário em Havana. Cruza em seu caminho, um homem enigmático, que passeava com seus cachorros e servirá de porta de entrada para uma espécie de viagem no tempo. Do outro lado, Iván encontrará uma complexa trama política, conspirações e o fim trágico de um importante personagem do século XX: o revolucionário russo Leon Trotski.

O romance reconstitui os últimos anos de vida de Trotski, em seu exílio no México, após ser convertido em inimigo da URSS por Stalin; e a história de seu algoz, o catalão Ramón Mercader, um voluntário das Brigadas Internacionais da Guerra Civil Espanhola e que foi encarregado de executá-lo. Este personagem misterioso ganha contornos expressivos no romance de Padura, que acompanha sua adesão ao Partido Comunista espanhol, o treinamento recebido em Moscou, a mudança de identidade e a operação que permitiu que ele se aproximasse de seu "alvo" - morto, friamente, com o golpe de picareta.

Após o sucesso de público e crítica de "O homem que amava os cachorros", a editora Boitempo promete lançar mais um romance do escritor cubano. "Hereges" chega as livrarias ainda este ano, contando histórias de refugiados judeus. (DR)