A luta de classes

29.08.2015

Folha de S. Paulo | Guia de livros, discos e filmes
Oscar Pilagallo
É natural e coerente que um autor de esquerda se posicione contra a exploração de uma nação por outra ou da mulher pelo homem. Na realidade, nem seria necessário ser de esquerda, como o italiano Domenico Losurdo, uma vez que tais posições são hoje defendidas por um espectro ideológico bem mais amplo.
 
O problema de A Luta de Classes é a tentativa de conectar essa pauta às origens do marxismo, a partir de menções esporádicas de Marx e Engels. Como a obra dos dois filósofos é centrada numa concepção mais estrita de luta de classes —aquela que opõe capitalistas e proletários—, a leitura de Losardo soa um pouco forçada e artificial.
 
Fica a impressão de que o autor, professor de história da filosofia na Universidade de Urbino, procura uma chancela para justificar a validação desses temas, como se a opressão da mulher ou a luta anticolonialista dependessem da bênção de Marx. (OP)
 
AUTOR: Domenico Losurdo
TRADUÇÃO: Silvia de Bernardinis
EDITORA: Boitempo
QUANTO: R$ 67 (400 págs.)
AVALIAÇÃO: regular