Literatura além-mar

15.02.2016

Revista Poder
Caroline Mendes e Mariana Gonzalez

Em entrevista sobre seu novo romance, Pssica, o escritor paraense Edyr Augusto lamenta só ter sido reconhecido no Brasil depois de fazer sucesso na Europa: "É como se eu precisasse de um selo de qualidade estrangeiro".

Edyr Augusto é jornalista, radialista, poeta, romancista, roteirista e dramaturgo, mas nunca enumera isso quando tem de falar de si mesmo. "Gosto muito de uma frase de um conterrâneo, o Haroldo Maranhão, já morto: 'Sou como um cão hidrófobo que sai às ruas pela noite à caça de uma vítima'. Esse é o escritor, um cachorro raivoso, e é também um vampiro que se apropria das histórias. Eu sou assim", diz. Tanto que vários dos personagens de seu mais novo livro, Pssica, (Boitempo, 2015), foram inspirados em pessoas reais. Um deles, o angolano Manoel - que se enfia floresta amazônica adentro em busca de vingança depois de ver a mulher ser morta e esquartejada -, desembarcou em Belém, no Pará, fugido da Guerra Civil ANgolana, assim como um amigo que Augusto tem na capital. "A amiga da Jane (outra personagem do livro), eu a conheço, mora perto da minha casa. Ela é viciada em drogas e a mãe e a tia dela são meio piradinhas", conta.

O rio da minha aldeia

Nascido e criado em uma família de radialistas em Belém - seu avô, Edgar Proença, foi um dos fundadores da Rádio Clube do Pará, que já tem 88 anos, mas não pertence mais aos Proença. Augusto cursou quatro anos de engenharia civil antes de se decidir pelo jornalismo, que concluiu na universidade federal do estado. Corria a década de 1970 e ele e seu irmão caçula - ao todo, são cinco filhos - se fascinaram pelas óperas rock e pela onda de androginia que chegava à capital. Foi quando Augusto escreveu sua primeira peça, Foi Boto, Sinhá, que mistura o glam da época com a lenda regional do boto cor-de-rosa, que, em noite de luta cheia em tempos de festas juninas, seduz mulheres na beira do rio Amazonas. "Desde sempre, meu primeiro público é Belém. Como vou entender o mundo se não olhar para o meu entorno?", questiona. "Quero que eles leiam as minhas histórias e se coloquem no lugar dos personagens, que são, em sua maioria, pessoas comuns que acabam atingidas por coisas muito graves, deixam todos os escrúpulos de lado, saem da zona de conforto e enfrentam seus problemas. Essa urgência me interessa muito!". Augusto segue trabalhando teatro, vale dizer. Sua companhia, chamada CUíra, já tem 30 anos de estrada.

Leia o resto da matéria na íntegra na edição de fevereiro da Revista Poder, nº 91.