Angela Davis na Boitempo Editorial

17.08.2016

O Povo
Isabel Costa
A Boitempo Editorial publicará, em setembro, o volume Mulheres, raça e classe, escrito pela norte-americana Angela Davis. É a primeira tradução do livro para o Brasil. A intelectual ficou famosa como ícone da luta pelos direitos civis. Integrou o notável grupo Panteras Negras e o Partido Comunista nos Estados Unidos. Presa durante a década de 1970, ela ficou mundialmente conhecida pela campanha “Libertem Angela Davis“. Mulheres, raça e classe é uma das obras clássicas.
 
O prefácio é assinado por Djamila Ribeiro. “Mulheres, raça e classe, de Angela Davis, é uma obra fundamental para se entender as nuances das opressões. Começar o livro tratando da escravidão e de seus efeitos, da forma pela qual a mulher negra foi desumanizada, nos dá a dimensão da impossibilidade de se pensar um projeto de nação que desconsidere a centralidade da questão racial, já que as sociedades escravocratas foram fundadas no racismo. Além disso, a autora mostra a necessidade da não hierarquização das opressões, ou seja, o quanto é preciso considerar a intersecção de raça, classe e gênero para possibilitar um novo modelo de sociedade”, diz o texto.
 
“Davis apresenta o debate sobre o abolicionismo penal como imprescindível para o enfrentamento do racismo institucional. Denuncia o encarceramento em massa da população negra como mecanismo de controle e dominação. Dessa forma, questiona a ideia de que a mera adesão a uma lógica punitivista traria soluções efetivas para o combate à violência, considerando-se que o sujeito negro foi aquele construído como violento e perigoso, inclusive a mulher negra, cada vez mais encarcerada. Analisar essa problemática tendo como base a questão de raça e classe permite a Davis fazer uma análise profunda e refinada do modo pelo qual essas opressões estruturam a sociedade. Neste livro, tal discussão é sinalizada pela autora por meio de sua abordagem do sistema de contratação de pessoas encarceradas nos Estados Unidos, que já durante o período escravocrata permitia às autoridades ceder homens e mulheres negros presos para o trabalho, em uma relação direta entre escravidão e encarceramento como forma de controle social”, aponta o escrito de Djamila Ribeiro.
 
Serviço
 
Mulheres, raça e classe
Angela Davis
248 páginas
Tradução: Heci Regina Candiani
Preço: R$ 54
Editora Boitempo