“Mulheres, raça e classe", de Angela Davis, é publicado no Brasil

03.10.2016

O Povo
Isabel Costa
Angela Davis escreve para além do próprio tempo. Prova disso é que, 35 anos após a publicação original, o livro Mulheres, raça e classe chega ao Brasil envolto por frisson. É a primeira tradução da obra para o português. Ao longo das 248 páginas, a autora realiza um apanhado histórico sobre as lutas feminista, antirracista e antiescravagista. A publicação é da Boitempo Editorial.
 
Professora, filósofa e integrante do Partido Comunista dos Estados Unidos, Angela ficou famosa ao ser protagonista de um notório julgamento da justiça norte-americana. Angela foi ligada a um crime ocorrido em agosto de 1970, quando um julgamento em um tribunal acabou em fuga do réu, perseguição policial e mortes. A professora, que à época já integrava o movimento Panteras Negras, não estava na cena do crime – mas a arma utilizada estava em seu nome.
 
Angela teve a prisão decretada e fugiu durante alguns meses, para ser presa em Nova York após uma das maiores caçadas humanas da história. Ela foi detida, ficou encarcerada por 18 meses e, em seguida, inocentada das acusações. A situação da professora deu origem a campanha “Libertem Angela Davis”, que ganhou repercussão ao redor do mundo e teve ecos nos meios artísticos.
 
Como ativista conhecida internacionalmente, Angela oferece novas angulações e perspectivas em sua obra – ajudando a romper paradigmas considerados imutáveis. Apesar das fortes referências norte-americanas, a leitura do livro não fica comprometida. Pois os cenários de perseguição, abuso de poder, trabalho escravo e racismo, descritos pela estudiosa na obra, são familiares à rotina brasileira.
 
Serviço
 
Mulheres, raça e classe
Angela Davis
248 páginas
Tradução: Heci Regina Candian
Preço: R$ 54