O que de melhor lemos em 2016

12.12.2016

Suplemento Pernambuco
Redação
Listas já nascem injustas, é verdade. Mas pode ser instigante o exercício crítico de pensar (e, portanto, eleger) o que de melhor houve em 2016 no campo literário. Neste ano, resolvemos aumentar a lista de pessoas a indicar e deixar livre o número de obras – o que deixa mais desafiador o exercício de curadoria do "que de melhor lemos" no ano. O que se vê abaixo são indicações de colaboradores do Pernambuco, especialistas e outros atores desse campo indicando obras das mais variadas editoras e vieses (muitas das quais, repetidas, o que pode depor a favor desses livros). 
 
A lista foi organizada pela ordem alfabética dos nomes das pessoas que enviaram listas e mantivemos a ordem das obras a nós enviada. 
 
 
***
 
Bernardo Brayner (escritor e responsável pelo blog Livros que você precisa ler)
 
Prosas apátridas (Julio Ramón Ribeyro - trad. Gustavo Pacheco, Rocco).
 
Textos curtos do escritor peruano escritos em Paris, em sua maioria. "A carta que aguardamos com mais impaciência é a que nunca chega. Não fazemos outra coisa em nossas vidas além de esperá-la. E ela não chega não porque tenha sido extraviada ou sido destruída, mas simplesmente porque nunca foi escrita."
 
O monta-cargas + A festa de aniversário (Harold Pinter – trad. Alexandre Tenório, José Olympio).
 
Repetições, silêncios, absurdos, violência, ódio. O dramaturgo inglês parecia ter o Brasil em mente enquanto escrevia.
 
A margem esquerda (Varlam Chalámov – trad. Cecília Rosas, Editora 34).
 
Os Contos de Kolimá só foram publicados no fim da União Soviética e chegam agora ao Brasil. "O ser humano não deveria ter visto isso (...). Mas, se viu, é preciso contar..."
 
A filha perdida (Elena Ferrante – trad. Marcello Lino, Intrínseca)
 
Romance curto e poderoso da autora da Série Napolitana sobre maternidade e memória.
 
Vozes de Tchernobil – A história oral do desastre nuclear (Svetlana Aleksievitch – trad. Sonia Branco, Companhia das Letras)
 
A ganhadora do Nobel de 2015 constrói um coro grego moderno para uma tragédia que completou 30 anos em 2016. Um impressionante trabalho com a voz dos personagens.
 
Um amor feliz (Wislawa Szymborska – trad. Regina Przybycien, Companhia das Letras)
 
"O mundo não merece o fim do mundo." Uma observadora da natureza humana que cria versos simples, com temas do cotidiano, mas com uma força extraordinária.
 
 
 
 
Carol Almeida (jornalista e doutoranda em Comunicação Social pela UFPE)
 
Como se estivéssemos em palimpsesto de putas (Elvira Vigna, Companhia das Letras). )
Com uma escrita cuja forma estabelece um contrato sobre seu conteúdo, o novo romance de Elvira Vigna nos entrega a narrativa de um homem que se revela justamente pela subtração do que ele escolhe não notar, neste caso, as mulheres. Esposa, putas e a própria narradora do livro, todas desfilam por ele como uma pasta uniforme que serve somente para identificá-lo como um macho. Um livro, enfim, sobre a falência do espírito do homem moderno.
 
Cabo de guerra (Ivone Benedetti, Boitempo)
O narrador em primeira pessoa desse livro não poderia ser mais ambíguo e, por isso mesmo, mais propenso a inflamar descrições rasas e moralistas. Mas Ivone Benedetti dá uma aula sobre construção de personagem e, simultaneamente, sobre como criar graduais tensões narrativas em uma história que nos fala diretamente do episódio recente mais doloroso do Brasil: a forte repressão e suspensão de qualquer possibilidade de dignidade durante a ditadura militar. Mas, para além disso, Ivone fala essencialmente de como o vizinho ao lado nunca é apenas o vizinho ao lado.
 
Mulheres, raça e classe (Angela Davis – trad. Heci Regina Candiani, Boitempo)
Publicada originalmente em 1981, pela primeira vez esse clássico da professora e ativista Angela Davis é lançado no Brasil. Escancara, com muita base documental e depoimentos diversos, como a própria história do movimento sufragista nos Estados Unidos está fincada no racismo, de como a representação dos negros na sociedade norte-americana não alcança, por exemplo, os ideais comunistas brancos, e de como essa linha do tempo desemboca em uma proposta de feminismo que dê conta de desconstruir essas propostas de "revoluções". Umas que, durante muito tempo, não foram mais do que "revoluções" racistas e classistas.
 
História do novo sobrenome (Elena Ferrante – trad. Maurício Santana Dias, Biblioteca Azul)
O segundo romance da tetralogia napolitana de Elena Ferrante atesta que a escritora que hoje parece ser mais conhecida pelo mistério (desvendado ou não) sobre sua real identidade do que por sua literatura. O que é uma pena, porque a sua literatura fala em alto volume. No segundo título da série, as conexões entre Lenu, a narradora, e Lila, sua melhor amiga, se tornam ainda mais densas e tensas em uma narração aparentemente contada com a estrutura do melodrama que, em uma análise rápida, invisibiliza a linguagem. No entanto, o próprio exercício narrativo dessa primeira pessoa, que é a escritora ficctícia chamada Elena, nos desloca, tantas vezes, para um espaço extracampo, onde a grande sofisticação das tramas dessa comunidade napolitana está justamente no fato de ela ser contada por uma mulher – tanto a escritora real como a narradora escritora – que a toda hora põe em xeque as ferramentas que fazem da memória um grande melodrama.
 
A história dos meus dentes (Valeria Luiselli – trad. Ari Roitman, Alfaguara)
Em seu segundo romance, a mexicana Valeria Luiselli transforma uma premissa (a de que tudo nessa vida pode ser leiloado) em um livro que, com muito senso de humor e um certo tom surrealista e fantástico, faz um inventário não apenas da própria literatura latino-americana, como da literatura em si e do que entendemos como arte de um modo geral. E coloca essas diferentes camadas sempre no plano da narrativa que, para vender (a arte), precisa, sobretudo, refazê-la ao gosto da curiosidade de seus clientes.
 
Um amor feliz (Wislawa Szymborska – trad. Regina Przybycien, Companhia das Letras)
Todos os agradecimentos são poucos à tradutora Regina Przybycien por não apenas entender o status que a polonesa Wislawa Szymborska assumiu no Brasil depois da publicação de seus primeiros poemas por aqui, mas por ter o cuidado de buscar na obra dessa poeta o estrato de sua literatura, tão atenta às pessoas quanto às pedras (haveria diferença de natureza entre elas?). Nessa compilação em que podemos achar uma Wislawa ora formalista, ora prosadora, mas sempre irradiadora de uma energia descomunalmente concentrada da linguagem, temos de volta a mulher que habitava a terra gelada dos poetas que só tiram as luvas quando a lua aquece suas mãos.
 
 
 
 
 
Fernanda Miranda (doutoranda em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela USP, atua na formação de professores para a educação étnico-racial.)
 
FICÇÃO
 
Histórias de leves enganos e parecenças (Conceição Evaristo, Editora Malê)
 
Canções de amor e dengo (Cidinha da Silva, Editora Me Parió Revolução).
 
Reza de mãe (Allan da Rosa, Editora Nós)
 
O tapete voador (Cristiane Sobral, Editora Malê)
 
Com o daimon no contrafluxo (Marcelo Ariel, Editora Patuá)
 
Polis, Poiesis (João Melo, Editorial Caminho).
 
"o último da lista de ficção é um escritor angolano (maravilhoso), suas obras são acessíveis no Brasil. Embora não seja essa a proposta recomendo muitissimo as obras: O dia em que o pato Donald comeu pela primeira vez a Margarida (2006) e Imitação de Sartre & Simone de Beauvoir (1998)".
 
 
NÃO FICÇÃO
 
Mulheres, raça e classe (Angela Davis – trad. Heci Regina Candiani, Boitempo)
 
Esboços de um tempo presente (Rosane Borges, Editora Malê)
 
Sambas, quintais e arranha-céus: as micro-Áfricas em São Paulo (Amailton Magno Azevedo, Editora Olho d’Água).
 
Corpo no outro corpo: homoerotismo na narrativa portuguesa contemporânea. (Jorge Valentim, EdUFSCAR).
 
 
 
Gianni Paula de Melo (jornalista e mestranda Teoria Literária pela Unicamp)
 
Seiva veneno ou fruto (Júlia de Carvalho Hansen, Chão da Feira Edições)
 
Um livro magrinho, econômico, e condensador das existências. Delicado em sua materialidade, selvagem em suas imagens. Um grande interlocutor da crise que experimento atualmente. Uma leitura que não acabou, que não acaba.
 
Poemas completos (Herberto Helder, Tinta-da-China)
 
Lançamento digno de decretar feriado e estourar champanhe. Escrevi no Pernambuco, em dezembro do ano passado, sobre a dificuldade de fazer circular o Herberto Helder no Brasil. Ninguém mais terá que pagar trezentos reais e esperar três meses como eu.
 
duas janelas (Ana Martins Marques e Marcos Siscar, Ed. Luna Parque)
 
Nesse livro, que integra uma coleção de diálogos, eu aprecio a dança. Ela, números pares. Ele, números ímpares. Dois dos poetas mais maduros de nosso tempo; dois leitores, mil lirismos. Aqui me considero suspeita (e boba). Está liberado tietagem na poesia.
 
Um amor feliz (Wislawa Szymborska - trad. Regina Przybycien, Companhia das Letras)
 
Talvez a escolha mais óbvia, porque havia ansiedade & urgência. Porque nós precisamos que Wislawa esteja cá.
 
Livro das postagens (Carlito Azevedo, 7 Letras)
 
Será que escrever é um tipo de doença, um tipo de afasia com delírio? Cita-se, recita-se, quebra-se o silêncio (silêncio?) de sete anos do poeta que enxerga do tempo a sua sombra. Carlito Azevedo, em dois poemas longos, orquestrando vozes, aquilo que ele diz coro. Eu me agarro a cada página, não para reter, para ser atravessada pelo motor da alegria.
 
 
 
Giovanna Dealtry (professora de Literatura Contemporânea da UERJ):
 
Os sertões (Euclides da Cunha – Edição crítica de Walnice Nogueira Galvão, Ubu Editora)
 
Todos os contos (Clarice Lispector – org. Benjamim Moser, Rocco) 
 
Vozes de Tchernobil – A história oral do desastre nuclear (Svetlana Aleksievitch - trad. Sonia Branco, Companhia das Letras)
 
Um amor feliz (Wislawa Szymborska – trad. Regina Przybycien, Companhia das Letras)
 
Como se estivéssemos em palimpsesto de putas (Elvira Vigna, Companhia das Letras). 
 
Outros Cantos (Maria Valéria Rezende, Alfaguara).
 
 
 
Igor Gomes (Editor-assistente do Pernambuco)
 
"Esta lista vem em ordem alfabética, e não em ordem de 'importância'".
 
Livro das postagens (Carlito Azevedo, 7 Letras)
Reúne o primeiro conjunto de inéditos do poeta em sete anos, o que já é motivo para comemoração – Azevedo é um dos poetas mais significativos que temos. Mas faz mais: traz à reflexão o jogo de encenações em que estamos inseridos, sobretudo o das redes sociais. A angústia dessas encenações está lá e, ao situarmos esse livro no presente, podemos pensá-las a partir do seu viés político, apesar de o autor não tratar disso diretamente (falam do papel das redes na militância e mobilizações, das formas e relações entre como agimos dentro e fora delas). Azevedo também insere poemas “encontrados” em inboxes de Facebook, postagens, cartas, e-mails, resultando em uma linearidade pouco tradicional aos livros de poesia.
 
Miró até agora (Miró da Muribeca, Cepe Editora)
É muito difícil achar obras antigas de Miró da Muribeca, poeta alternativo do Recife que já percorreu todo o Brasil com seus poemas – que ele chama de “crônicas”. É artista muito inventivo e com forte apelo público; aDeus (2015) vendeu cerca de 3 mil exemplares, algo difícil mesmo para poesia publicada por grandes editoras. Miró até agora é uma antologia que segue do primeiro livro (Quem descobriu o azul anil?, 1985) até diZcrição (2012). Importa por nos mostrar a trajetória formal de um poeta significativo que coloca experiências não hegemônicas em seus versos de forma simples e cativante.
 
O homem sem doença (Arnon Grunberg – trad. Mariângela Guimarães, Ed. Rádio Londres)
Grunberg discute um aspecto importante sobre o humano no contemporâneo: enredos distantes (no caso do livro, Zurique/Bagdá) hoje podem se cruzar em uma teia geográfica global, e isso nos leva a responsabilidades políticas. Problematiza a neutralidade, a “isenção existencial” e de como as tentativas para nos enquadramos nos padrões sociais podem nos insensibilizar ante os problemas coletivos. Grunberg nos mostra que isso de “estou vivendo a minha vida”, apartado de outros, cada vez mais perde sentido.
 
Reza de mãe (Allan da Rosa, Editora Nós)
Tive notícia da obra por meio da resenha que Regina Dalcastagnè publicou no Pernambuco de novembro. Reitero tudo que Dalcastagnè fala em seu texto. E aqui reforço que se trata de narrativa necessária não apenas por inserir o corpo negro periférico na posição de protagonista, mas por trazer uma estética diferente da publicação de editoras hegemônicas.
 
Um amor feliz (Wislawa Szymborska – trad. Regina Przybycien, Companhia das Letras)
É realmente feliz que possamos conhecer mais de Szymborska em português graças ao esforço de Przybycien, que assina o prefácio. O livro é um panorama que expõe as escolhas formais da poeta (de sonetos a versos livres), mostrando como nela se mantém, ao longo dos anos, o gosto por temas diversos – matemática, mitos, relacionamentos. E a ironia que já adoramos. Fica claro como Szymborska tem uma postura crítica diante do que está posto a seus olhos, do esforço e da completa falta de glamour que envolve o trabalho poético. Mais traduções da autora devem chegar no mercado em 2017, graças ao trabalho da editora Âyiné (que também trará Zbigniew Herbert e Jerzy Ficowski).
 
Watsu (José Juva, Cepe Editora)
Juva não é novato na poesia: seu primeiro livro, Vupa, já anunciava formas e temas que indicavam uma perspectiva interessante quando o poeta atingisse sua maturidade. Não sei dizer se Watsu é um marco da maturidade do autor, talvez seja algo que se possa ter certeza daqui a alguns anos; mas certamente é um livro mais maduro e bem-acabado. Onírico e inventivo, ventila a possibilidade de a poesia ser um vetor de cura para quem lê. Uma terapia via poesia, talvez, que se aproxima de um teor xamânico. A influência de Roberto Piva na forma de lidar e estruturar a poesia é evidente, mas Juva marca suas muitas outras leituras de uma forma bonita, quase como uma demonstração de gratidão a esses/essas poetas. Watsu vale a pena por marcar um momento mais maduro de um poeta talentoso.
 
 
 
 
 
Laura Erber (poeta, artista visual e professora de Teoria do Teatro da Unirio)
 
Uma situação colonial (Paulo Emílio Salles Gomes, Companhia das Letras)
 
Picasso (Gertrude Stein – trad. Priscila Catão, Editora Âyiné)
 
Pela supressão dos partidos políticos (Simone Weil - trad. Lucas Neves, Editora Âyiné)
 
Manifesto para a poesia concreta (Öyvind Fahlstrom, Editora Cobogó)
 
Diários – parte II (Susan Sontag – trad. Rubens Figueiredo, Companhia das Letras)
 
Cartas a Miranda (Quatremère de Quincy – trad. Paulo Mugayar Kuhl e Beatriz Mugayar Kuhl, Ateliê Editorial)
 
Coleção mundo índigena - editora Hedra 
 
O marcador de página (Sigismund Krzyzanowski - trad. Maria Aparecida Soares, Editora 34)
 
Mulheres, raça e classe (Angela Davis - trad. Heci Regina Candiani, Boitempo)
 
Machado (Silviano Santiago, Companhia das Letras)
 
"É uma lista pouco ortodoxa e talvez um pouco dispersiva, mas através dela já se pode ver que algumas editoras estão fazendo um trabalho de criar coleções e traduzir livros e autores que lentamente chegam ao português brasileiro. O esforço e paixão verdadeira de alguns editores têm ajudado muito a ampliar o repertório em direções menos convencionais e previsíveis, trazendo autoras modernas importantes, assim, aos pouquinhos, uma bibliografia teórico-crítica fundamental vai aparecendo. Entre os brasileiros, é formidável ver os textos de Paulo Emílio reunidos nessa edição, e é muito animador ver Silviano Santiago retornar a Machado de Assis em um projeto ambicioso e atrevido como esse."
 
 
 
 
 
Luiz Costa Lima (teórico de literatura e professor emérito da PUC–RJ)
 
A reedição aumentada do despoesia (Augusto de Campos, Editora Perpectiva)
 
Um caderno para coisas práticas (Annita Costa Malufe, 7 Letras)
 
A hora e vez de Candy Darling (Horácio Costa, Editora Martelo) 
 
30 anos com Sousândrade (Carlos Torres-Marchal, Eevista Eutomia)
 
 
 
 
 
Priscilla Campos (jornalista e mestranda em Teoria Literária pela UFPE)
 
Seiva veneno ou fruto (Júlia de Carvalho Hansen, Chão da Feira Edições)
 
Foguete em decolagem. A poesia de Julia não separa língua, estrutura física e terra: renova, desse modo, os espaços entre sujeito e matéria, entre carne e linguagem
 
O amor dos homens avulsos (Victor Heringer, Companhia das Letras)
 
O narrador de O amor dos homens avulsos está entre o assombro diante do inevitável e o combate mais sincero possível com o passado e com o outro; a batalha constante dos que permanecem atentos às brechas do tempo, do corpo, da geografia, do afeto.
 
Como se estivéssemos em palimpsesto de putas (Elvira Vigna, Companhia das Letras). 
 
Memória, história, esquecimento, nos explicou Ricoeur. É o que Elvira destrincha ao longo do seu último romance. O homem moderno, as putas e um extenso exercício na pista turva entre o passado e o presente.
 
Simpatia pela demônio (Bernardo Carvalho, Companhia das Letras)
 
“As contradições são sempre maiores que a consciência das contradições, assim como o desejo é sempre mais forte que a razão”. O melhor do ano.
 
O fim da história (Lydia Davis – trad. Julian Fúks, José Olympio)
 
Único romance da escritora norte-americana, Fim da história traz a experiência do amor de forma um tanto quanto desconfortável, sem temer os clichês, o óbvio, as repulsas – como todo discurso amoroso deve ser.
 
 
 
 
 
Regina Dalcastagnè (pesquisadora e professora titular de Literatura Brasileira da UNB)
 
Reza de mãe (Allan da Rosa, Editora Nós)
 
Como se estivéssemos em palimpsesto de putas (Elvira Vigna, Companhia das Letras). 
 
Aqui, no coração do inferno (Micheliny Verunschk, Patuá)
 
O conto zero e outras histórias (Sérgio Sant’Anna, Companhia das Letras)
 
 
 
  
 
 
 
Ricardo Aleixo (Poeta)
 
Só, com peixes (Adriane Garcia, Confraria do vento)
 
Os 6 fascículos de Siga os sinais na brasa longa do haxixe (Reuben Rocha, conhecido como cavalodadá; Editora Pitomba livros e discos)
 
Hora zero (Prisca Agustoni, Editora Patuá)
 
Nós, os dinossauros (André Luiz Pinto, Editora Patuá)
 
Estado de despejo (Ricardo Rizzo, Editora Patuá)
 
 
 
 
 
Raimundo Carrero (escritor e colunista do Pernambuco)
 
O marechal de costas (José Luiz Passos, Alfaguara)
Nesse romancem o autor realiza um trabalho primoroso de linguagem e de criação de personagem, a partir do modelo real: Floriano Peixoto. Além disso, surgem outros personagens forte e documentos – discursos – inevitáveis. Um livro que marca a literatura contemporânea brasileira. Grande escritor, sem dúvida, grande escritor.
 
Simpatia pela demônio (Bernardo Carvalho, Companhia das Letras)
Bernardo Carvalho confirma suas qualidades de grande escritor tratando de um tema muito delicado e difícil. Não é apenas uma simpatia pelo mal, mas uma reflexão de sua presença no mundo atual.
 
Guerra de Ninguém (Sidney Rocha, Editora Iluminuras)
O autor cearense vai, pouco a pouco, assumindo lugar de destaque na atual literatura brasileira, sobretudo no campo da criação de persongens sempre vigorosos, alguns exóticos. Ótimo criador de textos na habilidade das palavras.
 
Kaos Total (Jorge Mautner, Companhia das Letras) 
Um livro, no mínimo, intrigante, com experiências linguisticas e textos diversificados.
 
 
 
 
 
Schneider Carpeggiani (doutor em Teoria Literária pela UFPE, curador e editor do Pernambuco)
 
Como se estivéssemos em palimpsesto de putas (Elvira Vigna, Companhia das Letras)
 
Sobre como colocar a palavra palimpsesto num título e ainda assim fazer todo sentido, afinal: 2016, esse longo palimpsesto de tretas.
 
Detetive à deriva (Luís Henrique Pellanda, Arquipélago Editorial)
 
Esqueça a Curitiba dos Moro-Lovers. Prefiro a Curitiba de D. Trevisan. E a de Pellanda, que nos lembra que todo cronista é também um detetive selvagem.
 
Meninas que vestiam preto  (Várias autoras – trad. Vanderley Mendonça, Editora Demônio Negro)
 
Pequena antologia de poetas de verve beat ou como um dia vaticinou Zelda: “Essas garotas – diziam as pessoas – pensam que podem fazer qualquer coisa e ficar impunes”.
 
O martelo (Adelaide Ivánova, Editora Douda Correria)
 
Alguém certamente havia caluniado Adelaide I. pois uma manhã ela foi detida sem ter feito mal algum. Lançado apenas em Portugal em 2016, o novo livro de Adelaide ganha enfim edição brasileira em janeiro pela editora Garupa. 
 
Simpatia pela demônio (Bernardo Carvalho, Companhia das Letras)
 
Bem mais que a música dos Rolling Stones, que Bernardo aqui se apropria no título, prefiro um certo hit dos Smiths para definir esse livro: Heaven knows I'm miserable now.
 
Machado (Silviano Santiago, Companhia das Letras)
 
Silviano usa o “último Machado” para explicar o Brasil atual, que, de tão complicado, também parece o último Brasil.
 
Miró até agora (Miró da Muribeca, Cepe Editora)
 
“Do lado esquerdo do meu peito mora algo que o direito desconhece” – Miró, a bala não perdida da poesia brasileira reunida num só volume.
 
O marechal de costas (José Luiz Passos, Alfaguara)
 
Os cento e poucos anos de solidão da república brasileira.
 
Sudor (Alberto Fuguet, Random House)
 
Entre Carlos Fuentes e o Grindr, o melhor autor chileno – vivo, claro – que continua sem editora no Brasil faz um dos seus livros mais afiados. Estamos em 2016, mas ainda assim se hace crack es boom.