Favela disputa espaço com empresas

05.09.2007

Conversa Afiada
Os moradores de uma favela localizada em uma importante avenida da zona sul da capital paulista, a Luiz Carlos Berrini, estão revoltados. A Secretaria de Habitação do município quer retirar as famílias da região. Para os moradores isso acontece porque a favela está no meio de um dos pólos empresariais da cidade (clique aqui para ver o vídeo).

Uma região rica, cheia de prédios imponentes, construções que chegaram depois que a comunidade já havia se formado.

“O interesse imobiliário é muito grande, só que o direito nosso, no estatuto da cidade, no plano diretor, tem que ser cumprido. Nós vamos continuar aqui”, disse Gerôncio Henrique Neto, presidente da Associação de Moradores da favela do Jardim Edith

Em 1971, quando os primeiros barracos começaram a surgir, a região da Avenida Berrini era praticamente desabitada. Hoje, 36 anos depois, a região se transformou em um importante pólo empresarial da cidade de São Paulo.

Um incêndio que aconteceu na favela nesta terça-feira, dia 05, reacendeu a polêmica sobre a regularização do local.

A arquiteta e pesquisadora da USP Mariana Fix escreveu o livro “Parceiros da Exclusão”, que fala sobre a retirada de parte dos moradores da favela, em 1995. Mariana acredita que o poder público não dá atenção necessária à população pobre.

“A população tem o direito de permanecer aí. Ela está lá antes mesmo de surgir esse pólo empresarial. Isso não justifica remoção das famílias. O direito a moradia está na Constituição brasileira”, disse Mariana.

O Conversa Afiada procurou a Secretaria Municipal de Habitação para falar sobre o assunto. Por meio de uma nota o secretário municipal de habitação, Orlando de Almeida Filho, disse que a secretaria vai buscar apoio do governo do Estado de São Paulo para encontrar uma solução definitiva para as famílias que ocupam o Jardim Edith.

A favela do Jardim Edith tem cerca de 600 barracos, que abrigam aproximadamente 3.200 pessoas.