O calendário e a marcha dos acontecimentos: notas sobre conjuntura e ideologia

06.08.2017

Diário da Liberdade
Mauro Luis Iasi
"Os representantes e os representados, enfrentam-se com hostilidade e não mais se compreendem". Karl Marx, O 18 de brumário de Luís Bonaparte.
 
São dois os traços marcantes da conjuntura na qual nos encontramos: há uma quebra de continuidade entre as classes e os segmentos de classe e suas representações políticas e institucionais; ao mesmo tempo, a crise econômica exige um novo patamar de exploração das classes trabalhadoras e isso se expressa na necessidade de novas formas políticas.
 
Tais aspectos incidem não apenas nos segmentos dominantes, que disputam o botim resultante do afastamento da presidente eleita, mas, também, sobre a classe trabalhadora. Aquilo que até então foi a forma política da sociabilidade burguesa torna-se estreita para as contradições que habitam seu conteúdo. De forma geral, esse quadro se expressa na superação da "democracia de cooptação" em direção a uma nova forma institucional e política ainda não definida plenamente, que alguns como Felipe Demier denominam de "democracia blindada"  e outros preferem chamar de "estado de exceção", seguindo Giorgio Agamben ( Estado de exceção, Boitempo, 2016).

Confira o texto de Mauro Luis Iasi.