Desmontando algumas mentiras sobre Karl Marx

04.08.2017

Genialmente Louco
João Neto Pitta
Karl Marx, sem dúvida alguma, é uma das figuras mais importantes e controversas da história. Há uma inesgotável intenção de tergiversá-lo com difamações, de maneira tal, que desde o século XIX, Engels relata as constantes mentiras que brotavam de mentes que temiam a influência do pensador alemão. Eis que neste breve texto, limitar-me-ei a tecer sobre algumas dessas mentiras. Não abarcarei ainda todas elas neste texto, entretanto, haverá uma segunda parte e eventualmente uma terceira nas quais analisarei minuciosamente muitas destas críticas ‘’apressadas’’  e/ou mesmo mentiras descaradas que infelizmente ainda pairam no imaginário de boa parte dos críticos.
 
O argumento do buraco
 
Uma rápida pesquisada de “Marx Refutado” no Youtube nos leva a uma variedade de vídeos, muitos deles feitos por crianças e adolescentes. Em pelo menos 90 por cento destes casos o “argumento do buraco” é usado.
 
No que consiste o “argumento do buraco”? Bom, é um raciocínio que parte de um pensamento estupidamente simplista, que funciona da seguinte forma: 1.Marx é adepto da teoria do valor trabalho; 2. A Teoria do Valor Trabalho consiste em crer ao trabalho o cacife de pôr valor nas coisas; 3 e conclusão – se o trabalho coloca valor nas coisas, então, quanto mais trabalho, mais valor, logo, se eu passar 40 anos fazendo um buraco no quintal da minha casa, ou um bolo de lama, ou uma pizza queimada; estes produtos deverão ter um valor bem alto.
 
O primeiro erro é que quem usa esse argumento nem sequer se deu ao trabalho de ler Marx. Basta pegar o primeiro capítulo de “O Capital” para constatarmos que este argumento parte de alguém totalmente ignorante quanto a literatura marxista. O Primeiro Capítulo do livro do filósofo alemão é justamente sobre as mercadorias e neste capítulo entendemos logo de cara a maneira com que Marx vislumbra a mercadoria, como “valor de uso” e “valor de troca” (posteriormente ele explica que “valor” se adéqua melhor do que “valor de troca”, mas isso é assunto para outro texto).  Dizer que uma mercadoria deve ter valor de uso implica que ela deverá ter uma utilidade, ou seja, se o buraco estiver sendo construído para enterrar alguém, ele terá uma utilidade, portanto, será uma mercadoria. Mas, um buraco gigantesco sem finalidade nenhuma seria fruto de um trabalho inútil (que é a palavra que Marx usa), um bolo de lama e uma pizza queimada também seriam ambos frutos de um trabalho inútil.
 
O outro erro deste argumento é que para Marx o que determina o valor de um produto é o “trabalho socialmente necessário”, ou seja, levando em conta a tecnologia média e o esforço médio da sociedade para construir o objeto em questão e não o trabalho individual de alguém, pois neste caso, a teoria marxista promoveria o preguiçoso e o inábil, tendo em vista que estes demorariam mais ao produzir e por consequência encareceriam mais a mercadoria.

Confira o texto de João Neto Pitta.