Evidências do real

os Estados Unidos pós-11 de Setembro

Susan Willis

Coleção Promoção Dia da Democracia Coleção Dia da mulher é dia da luta feminista! PROMOÇÃO Coleção Dia do Filósofo Coleção Promoção: Boitempo em clima de carnaval

R$ 39,00

Evidências do real não é apenas mais um livro sobre os Estados Unidos pós-11 de Setembro. Trata-se de um estudo das relações entre a história, a realidade norte-americana atual e a produção cultural que eclodiu, tendo como objetivo conter a crise deflagrada pelos atentados terroristas.

A obra fura o bloqueio da censura imposta pelo governo Bush a todos que pretenderam emitir críticas ou opiniões contrárias ao conjunto de medidas tomadas após os atentados, medidas essas já amplamente analisadas por intelectuais de outros países. Evidências do real traz o olhar de Susan Willis, estudiosa norte-americana de cultura popular, diretamente do olho do furacão.

O cotidiano da população dos Estados Unidos, segundo a autora, está relacionado a uma série de ficções culturais populares, veiculadas pelos meios de comunicação de massa e engolidas sem maiores reflexões. Exemplos como a produção do baralho “Ases do mal”, com as figuras dos “terroristas mais procurados”, e programas governamentais que pretendem transformar cidadãos comuns em espiões de vizinhos dizem muito sobre a conjuntura do país. Mais ainda quando a análise aproveita os mesmos elementos utilizados nessas construções. O livro, segundo Willis, “desmonta a cultura com as armas da cultura”.

Os ensaios que compõem esta obra preservam uma linguagem que procura capturar a forma de expressão norte-americana. Tomam como ponto de partida, eventos ou fenômenos que tenham sido tratados de modo trivial ou reducionista. Abordam temas como patriotismo de massa, o fenômeno do antraz no contexto do consumo de massa, canção popular, governo paralelo, estatuto do risco e violência.

Willis demonstra que, por mais banais e aleatórios que pareçam, esses elementos são evidências da realidade histórica norte americana. Nas palavras da autora, “o livro é uma cartilha sobre os modos de ler tais evidências como indicadores da nossa realidade”. Orelha de Slavoj Žižek.

Trecho do artigo “A velha glória”

“Como significante vazio, essa bandeira concentra o poder, inerente à mercadoria, de se tornar um fetiche. Assim como o Santo Sudário de Turim, ela exprime uma forma de patriotismo elevada ao nível da religião. Como objeto físico, se oferece em forma de relíquia – um substituto para um sentido mais propriamente materialista de história. Enquanto relíquia, ela personifica o fundamentalismo da Casa Branca de Bush, em que a distinção entre conservadorismo político febril e valores evangélico-cristãos é diminuta.”