Lucien Goldmann

ou a dialética da totalidade

Michael Löwy eSami Naïr

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R$ 49,00

“A obra de Lucien Goldmann é de nossa época e os problemas que levanta são os nossos”.
– Michael Löwy e Sami Naïr

A introdução definitiva à obra do filósofo e sociólogo Lucien Goldmann, um dos pensadores marxistas mais originais de sua geração. Escrito por dois de seus mais ilustres discípulos – Michael Löwy e Sami Naïr foram orientados por Lucien Goldmann na École des Hautes Études en Sciences Sociales nos anos 1960 –, o livro apresenta o método goldmanniano e suas aplicações possíveis, como estudos sobre religião, literatura, sociologia, comunicação, em linguagem clara e acessível.

A obra de Goldmann representou um humanismo marxista radical que causou impacto entre os anos 1955 e 1975, sendo posteriormente marginalizada na França, primeiro pela moda do estruturalismo e, em seguida, pelo antimarxismo vulgar, hegemônico nos meios de comunicação. Crítico implacável do determinismo positivista, Goldmann clamava pelos direitos da consciência e do sujeito no processo histórico, rejeitando o positivismo, o cientificismo, o materialismo vulgar e a sociologia conformista.

Nascido em 1913, na Romênia, Goldmann graduou-se em direito. Ao chegar em Paris, no ano de 1934, conheceu a vida difícil de estudante estrangeiro, preparando um doutorado em economia política na Faculdade de Direito, uma licença em alemão e outra em filosofia na Sorbonne. Ao mesmo tempo, exerceu diferentes atividades para garantir a subsistência como entregador de lavanderia, vendedor de jornais etc.

De origem judaica, foi enviado duas vezes a campos de refugiados durante a Segunda Guerra Mundial, escapando da última prisão graças à intervenção de Jean Piaget, de quem se tornaria colaborador. Após a libertação, Goldmann voltou a Paris, onde obteve um posto de assistente e, depois, de pesquisador científico no Centre Nationale de la Recherche Scientifique (CNRS, Centro Nacional da Pesquisa Científica) e passou a desenvolver estudos sobre a filosofia de Kant e o pensamento de Lukács, que muito o influenciou.

Segundo Celso Frederico, professor da ECA-USP e autor da orelha do livro, a obra “revela um vasto canteiro de obras para aqueles que pretendem retomar a boa tradição do pensamento marxiano – tradição que teve em Goldmann um dos mais combativos representantes”.

Além de um anexo com a bibliografia completa de Goldmann, de textos inéditos que reproduzem os debates travados com Lucien Sebag e Marcuse, de anotações de um curso sobre os Grundrisse de Marx e de um projeto de pesquisa sobre a aplicação do conceito de “consciência possível” nos estudos de comunicação, a edição brasileira vem acrescida de um prefácio e do artigo inédito “Lucien Goldmann ou a aposta comunitária” assinados por Löwy.

Trecho da orelha de Lucien Goldmann, escrita por Celso Frederico

"“Essa obra é de nossa época e os problemas que levanta são os nossos”. Com essa frase, os autores sintetizam o legado da vasta e ainda desconhecida produção intelectual de Goldmann. De fato, mais do que nunca a necessidade da emancipação humana exige a retomada do legado marxiano depurado dos dogmatismos que o marcaram durante o século passado. No agitado contexto dos anos sessenta, a referência à dimensão subjetiva tinha como alvo de combate, além do positivismo clássico, a maré estruturalista então dominante em todas as áreas das ciências humanas, cujo resultado final foi a consagração de um determinismo que se impunha à revelia de qualquer iniciativa humana."