A arte do combate

a literatura alemã em cento e poucas chispas poéticas e outros tantos comentários

Marcelo Backes

R$ 58,00

A arte do combate: a literatura alemã em cento e poucas chispas poéticas e outros tantos comentários, de Marcelo Backes, é um livro sem precedentes no Brasil. Didático e espirituoso, enciclopédico e combativo ao mesmo tempo, reúne poesias, fábulas, cartas, excertos, epigramas e aforismos dos mais representativos autores alemães do período entre Lutero (1483-1546) e Brecht (1898-1956).

A todos os textos segue um comentário do autor, em que ele apresenta resumidamente o escritor, sua obra e o trecho compilado. Ao longo do livro, Backes faz também uma reflexão acerca do que considera ser a falta de combatividade típica da literatura brasileira. Backes apresenta – sempre que o gênero for mencionado pela primeira vez – uma breve história do aforismo, do epigrama, da fábula, do diário e dos outros gêneros mais caracteristicamente combativos da literatura universal.

O ponto de partida para a seleção é a língua alemã, elemento que unifica todos os autores. Comparecem, portanto, autores não apenas da Alemanha mas também da Áustria e da Suíça. Marcelo Backes inclui alguns nomes esquecidos, como Jean Paul, Karl Kraus e Alfred Kerr, outros que jamais foram estudados no Brasil, como Johann Nestroy, Moritz Saphir e Richard Dehmel, e faz referências a todos os escritores de alguma importância, dos primórdios da literatura germânica, no século VIII, aos dias de hoje – além, é claro, de grandes nomes como Kafka, Marx, Schopenhauer, Goethe, Schiller, Thomas Mann, Brecht e muitos outros.

Este livro intensamente lírico e erudito – o conceito “chispas poéticas” (dichterische Funken, em alemão) é de Adorno e aparece em seu texto "Discurso sobre lírica e sociedade" – começa com um cânone e termina com um longo ensaio sobre a literatura alemã contemporânea. O posfácio recebe o sonoro título de “Viva a crítica que mete o pau”, no qual o autor comenta com rara ousadia a crítica literária brasileira atual, confrontando-a à opulência da crítica alemã, e que, de certa forma, explica o livro. Um cuidadoso índice remissivo facilita a consulta temática e autoral direta, adquirindo valor de glossário por sua abrangência e detalhismo.

A arte do combate revela que a postura crítica dos autores alemães – desde o poeta medieval Walther von der Vogelweide, passando por Heine, Marx, Schnitzler, Kafka, Kraus e tantos outros – é uma questão de princípio. Todos eles parecem estar de acordo com Heráclito, o filósofo dialético grego, que declarou ser o combate o “pai de todas as coisas”. Para encerrar, este belo livro de Marcelo Backes termina como deveria: com Brecht, o último combatente da arte.