As contradições do lulismo

A que ponto chegamos?

André Singer eIsabel Loureiro

Coleção Estado de Sítio

R$ 52,00

Desdobrando as análises de André Singer sobre o “lulismo”, o livro busca incorporar uma avaliação sobre o “ensaio desenvolvimentista” tentado pelo governo Dilma no marco do pós crise internacional de 2008 e oferecer uma interpretação original sobre o saldo do percurso lulista desde a vitória do PT nas eleições presidenciais de 2002 no contexto mais amplo da experiência modernizadora brasileira. Nas palavras da economista Leda Paulani, que assina o texto de orelha do livro, os ensaios aqui reunidos revelam que “o lulismo repetiu como farsa a tragédia do sonho desenvolvimentista anterior, que durou cinquenta anos e foi desfigurado pelo conservadorismo militar”.

Inspirados pelas observações de Chico de Oliveira de que o capitalismo brasileiro se caracteriza pela combinação do arcaico e do moderno eternamente reproduzida, os oito capítulos registram as contradições e ambiguidades que moldaram o período de 2008-2014, marcado por um “ensaio desenvolvimentista tardio”: inclusão social sem cidadania, reindustrialização com oposição dos industriais, assalariamento precário com acesso à universidade, ampliação do crédito educacional com crescimento do ensino superior privado, wallmartização do trabalho com internacionalização dos sindicatos, agroecologia com agronegócio, autonomização dos mais pobres com passividade assistencialista, emancipação cultural com empreendedorismo, esperança de inclusão com rebaixamento das expectativas.

Essa coexistência aparentemente equilibrada de opostos teria, na avaliação dos autores, começado a desmoronar com as manifestações de junho de 2013, que “trouxeram subitamente à consciência como o Brasil, apesar de ter melhorado, continuava péssimo”. Nesse sentido, as análises que compõem este livro constituem material precioso para decifrar os rumos abertos pela explosiva e imprevisível conjuntura atual. Pois, ainda nas palavras de Leda Paulani, é no “andar de baixo” que a maioria dos pesquisadores vai buscar impressões e informações para compor o mapa das antinomias contemporâneas: do “precariado” aos trabalhadores sindicalizados (agora em chave internacional), dos beneficiários dos programas sociais como o Bolsa Família aos “agentes culturais” (que sustentam o ganha-pão do nicho de negócios aberto pela gestão da pobreza), das populações deslocadas pelo agronegócio aos assentados agroecológicos, dos sem-teto àqueles que andam nas franjas do mundo do crime.

Com ensaios assinados por Ruy Braga, Leonardo Mello e Silva, Maria Elisa Cevasco, Wolfgang Leo Maar, Cibele Rizek, Carlos Alberto Bello e os dois organizadores do volume, André Singer e Isabel Loureiro, As contradições do lulismo encerra uma espécie de trilogia do Cenedic sobre a era Lula, que inclui A era da indeterminação (2007) e Hegemonia às avessas (2010), ambos também lançados pela Boitempo.

Veja aqui o sumário do livro.

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