Margem Esquerda n.28

Dossiê: Feminismo, marxismo e a Revolução Russa

Maria Lygia Quartim de Moraes,Michael Löwy,Miguel Urbano Rodrigues,Ricardo Prestes Pazzelo,Slavoj Žižek eWendy Goldman, entre outros!

Revista Margem Esquerda Coleção Revolução Russa

R$ 30,00

A edição 28 da revista Margem Esquerda dedica-se a acompanhar o percurso da maior tentativa de transformação social já empreendida na história da humanidade: a Revolução Russa de outubro de 1917. Muito já se escreveu sobre esse excepcional evento, e o balanço de seus erros e acertos está longe de ser conclusivo. Agora, quase três décadas após o fim da União Soviética socialista, talvez seja possível ter um olhar mais objetivo sobre o tema.

Realizada num país economicamente atrasado, em meio a um conflito de largas proporções – a Primeira Guerra Mundial – e num momento em que o capitalismo monopolista assumia vigor inusitado, a Revolução Russa produziu reflexos em inúmeras áreas do conhecimento humano. Nas palavras do historiador inglês Eric Hobsbawm, “a Revolução de Outubro teve repercussões muito mais profundas e globais que a Revolução  Francesa (1789) e produziu, de longe, o mais formidável movimento revolucionário organizado na história moderna”.

A Margem Esquerda 28 reúne artigos, documentos, poema e imagens que abordam, sob diferentes ângulos, esses cem anos de história. A começar pela entrevista com a historiadora Anita Leocadia  Prestes, filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benario, que viveu na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas durante os anos 1973 a 1979 e conta não só sobre essa experiência e sua trajetória intelectual como também sobre os bastidores do Partido Comunista Brasileiro.

O dossiê Feminismo, marxismo e a Revolução  Russa, organizado por Artur Renzo, traz textos de Maria Lygia Quartim de Moraes, As origens do feminismo marxista; Wendy Goldman, A libertação das mulheres e a Revolução Russa: legado e lições; e Rejane Hoeveler, A Revolução Bolchevique no olhar de Clara Zetkin. Os demais artigos são de Miguel Urbano Rodrigues, A humanidade e o socialismo; Michael Löwy, Da Revolução de Outubro ao ecocomunismo no século XXI; Ricardo Prestes Pazello, Pachukanis: a teoria marxista do direito aos cem anos da Revolução Russa; Slavoj Žižek, Lenin navegando em territórios desconhecidos; e Guido Liguori, Gramsci, o fascismo, a hegemonia, este traduzido e apresentado por Daniela Mussi.

A edição também traz, na seção Documento, o texto A Revolução  Russa, escrito no calor da hora (em julho de 1917!) por Astrojildo Pereira, e o inédito Mulher e socialismo, traduzido do russo, da cosmonauta e ativista Valentina Terechkôva. O Clássico desta vez é a Carta sobre o stalinismo, de György Lukács, traduzida por Leandro Konder e apresentada por Antonio Carlos Mazzeo; na seção Resenhas, destaque para o texto Emancipação feminina, emancipação da humanidade, de Maria Orlanda Pinassi, que analisa a antologia A revolução das mulheres: emancipação feminina na Rússia soviética, organizada por Graziela  Schneider.  Já o poema escolhido é o magnífico Poema do passaporte soviético, de Vladimir Maiakovski, traduzido e apresentado por Flávio Wolf de Aguiar. Ainda na esteira do centenário da Revolução Bolchevique, as ilustrações – selecionadas pelo artista plástico Sergio Romagnolo – são do ícone da arte moderna Kazimir Malevich (1878-1935). Margem Esquerda 28 traz ainda um texto de Emir Sader sobre o comandante em chefe da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz, falecido em 25 de novembro do 2016, aos 90 anos, além de resenhas e notas de leitura.

Preparávamo-nos para entrar em gráfica quando fomos surpreendidos pela notícia da morte do escritor, crítico literário e sociólogo Antonio Candido de Mello e Souza. Autor de livros que se tornaram referência, foi mestre de inúmeras gerações, as quais formou com extraordinário senso de humor, erudição e generosidade. Participou da fundação do Partido dos Trabalhadores e foi desde sempre um militante socialista engajado – numa recente entrevista, afi rmou: “o que se pensa que é a face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue”. A esse intelectual raro, cuja obra e memória estarão eternamente presentes, dedicamos esta edição.

[Baseado na apresentação de Ivana Jinkings]