O mito da grande classe média

capitalismo e estrutura social

Marcio Pochmann

Coleção Mundo do Trabalho Coleção Promoção DIA DO ECONOMISTA

R$ 38,00

Depois de seu aclamado Nova classe média?, livro que reconfigurou o debate contemporâneo sobre o tema, o economista Marcio Pochmann lança O mito da grande classe média: capitalismo e estrutura social. Leitura obrigatória para compreender a história e os rumos das classes sociais brasileiras, a obra esclarece como e por que se propala mundo afora a ideia de “medianização” das sociedades e, no Brasil, a da existência de uma nova classe média.

Atento sobretudo à dimensão ideológica da absorção da nomenclatura em regime político e econômico neoliberal, Pochmann insiste que a noção de classe média não é unívoca e sim heterogênea. O livro retraça a gênese da classe média assalariada brasileira desde a industrialização iniciada com JK, passando por seu crescimento decisivo com as políticas econômicas da ditadura para revelar, na contracorrente do senso comum econômico-sociológico, o crescimento e o fortalecimento da classe trabalhadora brasileira.

A edição vem ainda enriquecida com um prefácio inédito assinado pela filósofa Marilena Chaui.

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A economia política da mobilidade social recentemente retomada no Brasil aponta para duas questões especiais. A primeira se relaciona à tensão aberta em torno da abissal diferença de qualidade de vida entre ricos e pobres.

Desde a década de 2000, a inclusão social em massa interfere na base geral da prestação de serviços baratos pelos pobres aos ricos. Por dispor de enorme força de trabalho barata e expressiva para atender aos serviços familiares e pessoais, as elites brasileiras, que detêm uma qualidade de vida consagrada pelo consumo equivalente ao dos ricos nos países desenvolvidos, contam ainda com uma verdadeira rede de serviçais.

O salto na geração de ocupações formais reduziu sensivelmente o desemprego, sobretudo entre os pobres, tornando menos abundante a oferta de serviços baratos, o que implicou alguma transferência de renda privada das famílias ricas para as pobres. Na sequência, a elevação no padrão de consumo dos trabalhadores pobres impulsionada por políticas públicas inclusivas em áreas como educação, transporte e habitação gerou o desconforto da desmonopolização de oportunidades destinadas fundamentalmente aos segmentos de maior rendimento. 

A segunda questão emerge do entendimento de que a sustentação do crescimento econômico com geração de emprego pela maior progressividade no gasto público se tornou mais decisiva do que os atributos individuais dos emergentes no processo recente de mobilidade social. Do saldo de mais de 21 milhões de novos postos de trabalho abertos durante a década de 2000, despontou o protagonismo do setor terciário (serviços e comércio) e a concentração das remunerações em até dois salários mínimos mensais.

Esse ambiente de forte geração dos empregos com menor rendimento se mostrou funcional à absorção da população trabalhadora pertencente à base da pirâmide social. No quesito atribuição pessoal dos brasileiros emergentes, a migração do campo para a cidade perdeu importância, com maior expressão urbana e de escolaridade entre os que mais ascenderam no país. 

O sucesso da retomada da mobilidade social proporcionada por reforço das políticas públicas tornou um mito a versão da grande classe média. Tal como nas economias desenvolvidas, o Brasil repete a possibilidade – cada vez mais distante do neoliberalismo em vigor no mundo – da ascensão e fortalecimento das classes trabalhadoras. Esse é o desafio a ser explicado pelo presente livro.

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