O revolucionário cordial

Astrojildo Pereira e as origens de uma política cultural

Martin Cezar Feijó

R$ 48,00
Livro indisponível

Astrojildo Pereira, principal fundador do Partido Comunista do Brasil, morreu convencido de que o partido sempre acertava, até quando errava. Aceitava o mote de que era melhor errar coletivamente do que acertar individualmente. Tornou-se anarquista na juventude e comunista na maturidade. Ainda dirigente do PCB nos anos 20, levou livros ao tenente Luís Carlos Prestes, então exilado na Bolívia. Foi ainda reconhecido como um dos mais representativos e respeitados participantes da tentativa de transformar o mundo não só em seu aspecto material, mas também em suas bases culturais.

O revolucionário cordial: Astrojildo Pereira e a formulação de uma política cultural é uma tentativa de interpretação da trajetória do intelectual Astrojildo Pereira através de seus escritos e sua comunicação, principalmente aquela impressa em livros. O trabalho de Martin Cezar Feijó busca interpretar as escrituras militantes de Pereira, marcadas por profunda tensão entre a revolução e a modernidade, no período que compreende a Primeira Grande Guerra (1914-1918) e o fim da Segunda Guerra (1939-1945).

Mais do que isso, analisa a proposta de construção de uma política cultural levantada por Astrojildo. O projeto de alfabetização proposto por ele levava em conta a cultura popular e preferia chamar à luta um setor da sociedade civil rebelde (ou que, pelo menos, deveria sê-lo) às imposições do Estado: os intelectuais. Caberia a eles participar de um processo social específico visando a transformação radical de uma sociedade ágrafa a partir de sua realidade cultural.

Os sujeitos da ação política seriam os intelectuais, e a ação seria determinada pela política cultural proposta para o contexto específico do término da guerra – no caso, a necessidade urgente de eliminar o analfabetismo do povo. Investimento na formação intelectual, moral e estética de todas as pessoas, em condições iguais e democráticas.

É a origem de um projeto de política cultural de um revolucionário que leva em conta a memória dos afetos e das dores do país, apontando para um futuro melhor, apesar das adversidades.