Tempo, trabalho e dominação social

uma reinterpretação da teoria crítica de Marx

Moishe Postone

R$ 62,00

Em Tempo, trabalho e dominação social, Moishe Postone, professor de história moderna da Universidade de Chicago, propõe uma reinterpretação fundamental da teoria crítica de Marx. Fortemente influenciado pela Escola de Frankfurt e inserido em uma das tradições mais radicais e contemporâneas do marxismo, Postone analisa o capitalismo, antes de tudo, como uma forma de vida.

Escrito na década de 1990, esse livro inaugurou uma nova frente nos estudos marxistas, tão polêmica quanto necessária. As teses de Postone relacionam a forma do crescimento econômico e a estrutura do trabalho social na sociedade moderna com a alienação e a dominação presentes no coração do capitalismo.

Suas análises abriram caminhos para a renovação dos debates no interior do marxismo, o que torna esse livro leitura obrigatória, inclusive para os que defendem uma perspectiva diferente sobre a dinâmica capitalista. Em 1996, Tempo, trabalho e dominação social recebeu o prêmio de melhor obra teórica da American Sociological Association e, desde então, tem sido lançado em diversos países, como Alemanha, França, Espanha e Japão, entre outros. A edição brasileira conta com um prefácio inédito do autor.

Elaborando conceitos destinados a apreender o caráter essencial e o desenvolvimento histórico da sociedade moderna e a superar a conhecida divisão entre estrutura e ação, significado e vida material, o autor questiona muitos dos pressupostos marxistas tradicionais e oferece novas interpretações dos argumentos centrais de Marx. Esses conceitos o levaram a uma análise original da natureza e dos problemas do capitalismo e fornecem a base para uma crítica do “socialismo realmente existente”.

De acordo com Postone, Marx identifica o núcleo do sistema capitalista com uma forma impessoal de dominação social gerada pelo próprio trabalho e não simplesmente com mecanismos de mercado e propriedade privada. O trabalho proletário e o processo de produção industrial são caracterizados como expressões de dominação, e não como meios de emancipação humana. Essa reinterpretação gera uma análise crítica do caráter historicamente dinâmico da vida social moderna. "Nessa óptica, a mera substituição da propriedade privada dos meios de produção pela estatal não podia produzir a superação do capitalismo. Para superá-lo, na perspectiva trazida à luz por Postone, é preciso superar o próprio valor-trabalho como regulador social ou, o que é o mesmo, abolir o trabalho alienado. Nessa leitura o advento do socialismo sempre exigiu, segundo o próprio Marx, a eliminação da forma mercadoria e, portanto, da forma dinheiro", afirma Eleutério Prado, no texto de orelha.

“Postone produziu a melhor análise da teoria socioeconômica do Marx maduro desde Os limites do Capital (1982), de David Harvey. A obra é obviamente fruto de longos anos de pesquisa e vasta reflexão. É o tipo de trabalho pelo qual valeu a pena esperar.”

David McLellan, American Political Science Review

“Nesta complexa, densa, fartamente embasada e gratificante monografia, Moishe Postone oferece uma reconstrução e uma reinterpretação fundamentais da estrutura central do Capital. O rigor e a riqueza dos argumentos de Postone tornam este um livro-chave até mesmo para aqueles que têm outras perspectivas da dinâmica do capitalismo.”

Bob Jessop, American Journal of Sociology

“Moishe Postone assumiu a ambiciosa tarefa de revitalizar as ideias de Marx olhando-as através das lentes da especificidade histórica pretendida por Marx, e não como a generalização transistórica enganosa que elas se tornaram. Esta douta exposição irá gratificar plenamente o leitor que seguir essa irrefutável argumentação.”

Robert Heilbroner, New School for Social Research

 

“Em sua tão longamente aguardada reconstituição da teoria marxista, Moishe Postone propõe uma explanação rica e original sobre por que [a crise do capitalismo] não pode terminar sem uma mudança fundamental. Desse modo, ele avança muito no sentindo de compensar o tão lamentado “déficit econômico” na teoria crítica da Escola de Frankfurt”.

Martin Jay, University of California, Berkeley

“Esta é a mais profunda releitura da teoria crítica de Marx na próspera literatura contemporânea sobre o assunto.”

Thomas McCarthy, Northwestern University

 

“Sem a aridez típica da ‘volta às bases’, sua leitura revela categorias – mercadoria, trabalho, valor, tempo – tão cativantes quanto qualquer uma interpretada neste século. Quando vinculado às visões da vida pós-capitalista a partir dos Grundrisse, o projeto marxiano aparece, de repente, mais vibrante do que os recentes debates sobre, precisamente, como postergar a teoria indicam.”

Jeanne Clarke, Telos