Teatro de Arena

Izaías Almada

Coleção Pauliceia

R$ 39,00

Um dos momentos mais criativos da cultura brasileira, o final dos anos 1950 e início dos 60 deixou na memória coletiva muito mais a Bossa Nova e o Cinema Novo do que o teatro – talvez porque as imagens e os sons possuem maior capacidade de se reproduzir ao longo do tempo. Mas naqueles anos em que emergiam para a vida política e cultural novas gerações de estudantes e de trabalhadores, o teatro desempenhou um papel tão importante quanto a música e o cinema.

Até o surgimento do Arena, a tendência dominante no teatro brasileiro era o rigor formal, quase solene, da mesma forma que a política era coisa de adultos. Foi através de Glauber, Tom, Guarnieri, José Renato e Boal, entre tantos outros que faziam teatro com o vigor de quem busca transformar o mundo, que esse círculo estreito foi rompido e novas dimensões do Brasil foram reveladas pela arte aberta aos sentimentos populares.

Rompendo o fosso entre atores e espectadores, na arena do teatro da rua Teodoro Baima aprendia-se concretamente o que dizia Brecht sobre a relação entre arte e revolução, entre política e cultura, entre música e teatro. De Eles não usam black-tie a Arena conta Zumbi, de Chapetuba Futebol Clube a Arena conta Tiradentes, o público era convidado a compreender e a protagonizar a história brasileira. Esses vínculos essenciais só foram rompidos, à força de baionetas, pela ditadura militar.

Neste livro, Izaías Almada – ele mesmo personagem dessa aventura de liberdade e de criação – recolhe a história e o sentido daquele período, cinquenta anos depois, por meio de relatos e análises que ajudam a inserir definitivamente o Teatro de Arena no imaginário de São Paulo e do Brasil do século XXI. Izaías reúne testemunhos de Décio de Almeida Prado (uma das últimas entrevistas concedidas em vida), Guarnieri, Boal, Vera Gertel, Marilia Medalha, Chico de Assis, Antonio Fagundes e outros para falar de um teatro que deu voz ao autor brasileiro, introduziu a luta de classes como temática, inovou não apenas na encenação e na dramaturgia, mas fundou um jeito brasileiro de representar, como nação independente, como povo a organizar o seu futuro.