György Lukács e a emancipação humana

Marcos Del Roio (org.)

R$ 44,00

"Qual a importância de se debater a obra do pensador húngaro György Lukács neste início de século XXI?


É em tom de urgência que a figura de György Lukács (1885-1971), seguramente uma das mais influentes do século XX, surge como referência incontornável para se pensar a emancipação humana. Fruto dos debates realizados no III Seminário Internacional Teoria Política do Socialismo, György Lukács e a emancipação humana conta com a colaboração de alguns dos principais estudiosos nacionais e internacionais da obra do pensador húngaro, como José Paulo Netto, Nicolas Tertulian, Sergio Lessa, Ivo Tonet, Csaba Varga, Mauro Luis Iasi, Antonino Infranca, Ester Vaisman e Miguel Vedda, entre outros.

Diante de um quadro de crise econômica, com fortes indícios de ser estrutural, de esgotamento do padrão civilizatório modernizador e de regressão de consciência histórica, torna-se cada vez mais claro que a universalização da dinâmica do capital e de seu poder político coloca a humanidade diante de uma encruzilhada decisiva para o seu futuro. As próximas décadas serão determinantes para saber se o ser social se entregará à barbárie ou encontrará a rota de sua emancipação na plena humanidade.

Constituído em um momento de fragmentação teórica e fechamento histórico, o projeto de Lukács de renascimento do marxismo e de sua concepção de totalidade, avesso às formas modernas de mistificação e totalitarismo político, é de especial relevância para nosso tempo, dominado pela dissolução da ideia de verdade, pelas filosofias da desconstrução e pelo que os autores descrevem como o “irracionalismo contemporâneo”.

Organizada em três partes – dialética e trabalho; política e revolução; estética e luta ideológica –, em um reflexo do caráter multifacetado da obra de Lukács, o livro revela as múltiplas frentes nas quais se apresenta a relevância do pensamento lukacsiano hoje. Na introdução, o pensador húngaro Csaba Varga defende, como marco teórico definitivo, o incompleto projeto ontológico de Lukács – presente nas páginas póstumas de Para uma ontologia do ser social – como “uma das mais elevadas sínteses de sua obra e que deve ser vista como sua última e duradoura mensagem”. Daí a difícil tarefa a que os autores deste livro se propõem, pois parte da inestimável riqueza da obra lukacsiana está também em sua incompletude: trata-se de um projeto que só se realizará plenamente no momento da emancipação humana.

Mais do que um atestado da relevância do pensamento de Lukács para a contemporaneidade, o livro reflete sua urgência em tempos de barbárie social. Nas palavras de Angélica Lovatto, que assina a orelha, György Lukács e a emancipação humana representa “uma importante trincheira para o combate ao avanço da onda pós-moderna com a qual nos debatemos em difícil peleja nestes tempos bicudos de crise da ordem societária do capital e seus efeitos nefastos para o mundo do trabalho”. Constitui leitura e ponto de partida obrigatórios para pensar a reconstrução dos patamares teórico-práticos – sólidos, mas não dogmáticos – para a tão almejada emancipação humana.

Sumário

INTRODUÇÃO
A atualidade da obra de Lukács para a moderna teoria social: Para uma ontologia do ser social na reconstrução das ciências sociais
Csaba Varga

PARTE I: DIALÉTICA E TRABALHO
O “Moses Hess...” de Lukács
José Paulo Netto

A ontologia em Heidegger e em Lukács: fenomenologia e dialética
Nicolas Tertulian

Lukács, trabalho e classes sociais
Sergio Lessa

Lukács, trabalho e emancipação humana
Ivo Tonet

PARTE II: POLÍTICA E REVOLUÇÃO
Lukács: a ponte entre o passado e o futuro
Mauro Luis Iasi

Lukács e a crítica marxista do irracionalismo na via prussiana de objetivação do capital e na fase do imperialismo alemão
Antonio Rago Filho

Lukács e a democratização socialista
Marcos Del Roio

Notas sobre ontologia e política em Lukács
Paulo Barsotti

A atualidade da concepção política em Lukács
Antonino Infranca

PARTE III: ESTÉTICA E LUTA IDEOLÓGICA

O jovem Lukács: a superação da estética romântica
Arlenice Almeida da Silva

Anotações sobre Dostoiévski e a teoria do romance do jovem Lukács
Carlos Eduardo Jordão

Lukács: crítica romântica ao capitalismo ou “romantismo revolucionário”?
Ester Vaisman

Lukács e Brecht: afinidades entre seus pensamentos tardios
Miguel Vedda

Emancipação humana e arquitetura na Estética de Lukács
Juarez Torres Duayer

CONCLUSÃO: CONTRA O IRRACIONALISMO
Lukács e a crítica do irracionalismo: elementos para uma reflexão sobre a barbárie contemporânea
Maria Lúcia Silva Barroco