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Hegemonia às avessas

economia, política e cultura na era da servidão financeira

Alvaro Bianchi, Carlos Nelson Coutinho, Gilberto Maringoni, João Sette Whitaker Ferreira, entre outros.

Este livro estará disponível a partir de: 18/10/2017
Hegemonia às avessas
  • autor: Alvaro Bianchi
    Carlos Nelson Coutinho
    Gilberto Maringoni
    João Sette Whitaker Ferreira
    Maria Elisa Cevasco
    Wolfgang Leo Maar
edição:
1
selo:
Boitempo
idioma:
Portuguese
páginas:
400
formato:
21cm x 14cm x 2cm
peso:
450 gr
ano de publicação:
2010
ISBN:
9788575591642

A desigualdade como questão administrativa, a pobreza funcionalizada: o lulismo despolitiza a classe trabalhadora

Decifra-me ou te devoro!', ameaçava os viajantes amedrontados a Esfinge, antes de recitar o mais famoso enigma da história. Na verdade, a hegemonia 'lulista' representa nossa incontornável esfinge barbuda', aponta Ruy Braga, um dos organizadores de Hegemonia às avessas: economia, política e cultura na era da servidão financeira, lançado agora pela Boitempo. Nascido a partir do artigo homônimo, de Francisco de Oliveira incluído nesta edição o livro resulta de seminário promovido pelo Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da Universidade de São Paulo (Cenedic), no qual buscou-se analisar os fundamentos econômicos, políticos e culturais 'dessa forma sui generis de dominação social que se enraizou no país', como define Braga na apresentação.Em seu artigo, Oliveira apontava como, em mundo marcado pela crise capitalista e pelo colapso ambiental, o presidente brasileiro atingiu enorme prestígio ao absorver 'transformisticamente' forças sociais antagônicas dentro do Estado, desmobilizando as classes subalternas e os movimentos sociais. Carlos Nelson Coutinho segue a provocação do sociólogo para percorrer o caminho de seu diagnóstico, que verifica nesta conjuntura uma 'hegemonia da pequena política', 'quando a política deixa de ser pensada como arena de luta por diferentes propostas de sociedade e passa, portanto, a ser vista como um terreno alheio à vida cotidiana dos indivíduos, como simples administração do existente'. A apatia torna-se um fenômeno de massa, inclusive teorizada como um fator positivo para a conservação da 'democracia'.Como sintetiza Braga, Oliveira 'adiantou sua conjectura: no momento em que a 'direção intelectual e moral' da sociedade brasileira parecia deslocar-se no sentido das classes subalternas, tendo no comando do aparato de Estado a burocracia sindical oriunda do 'novo sindicalismo', a ordem burguesa mostrava-se mais robusta do que nunca. A esse curioso fenômeno em que parte 'dos de baixo' dirige o Estado por intermédio do programa 'dos de cima' Chico chamou 'hegemonia às avessas''.