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Matusalém de Flores

Carlos Nejar

R$ 43,00 Comprar

Matusalém de Flores
  • autor: Carlos Nejar
  • orelha: Antônio Torres
selo:
BOITEMPO EDITORIAL
páginas:
210
formato:
0cm x 0cm x 0cm
peso:
349 gr
ano de publicação:
2014
ISBN:
9788575593929

Leia o primeiro capítulo do livro clicando aqui.

Matusalém de Flores inaugura uma nova etapa da experiência ficcional de Carlos Nejar, renomado escritor e poeta do pampa brasileiro, dono de uma linguagem experimental única na literatura brasileira. 

Retrabalhando signos de narrativas bíblicas e épicas, Nejar mistura o romance com a linguagem poética e inventiva, característica de sua obra, para contar as histórias da cidade de Pedra das Flores e de seu próprio Matusalém, que se confundem e complementam uma à outra.

Escrito ao longo de apenas cinco meses, o livro narra a história de um personagem que pouco tem em comum com seu homônimo bíblico, mas que enfrenta heroicamente situações adversas em Pedra das Flores, onde “o mar não acaba nem a terra principia”.

Enquanto o personagem bíblico viveu por quase mil anos, não sabemos com precisão a idade de Matusalém de Flores ou a época em que se encontra. Fiel ao seu primeiro nome, Noe, o personagem também enfrenta seu próprio dilúvio. Junto à Crisóstomo, versão canina de Sancho Pança, Matusalém encara pestes e infortúnios, cercando sua vida de ares quixotescos, que misturam religião, filosofia, amor e guerra. 

Em meio à penúria e à grandeza da condição humana, a vida do personagem é pautada por tragédias, mas ele transcende a dor para permanecer vivo pelo amor à palavra: “Porque existimos enquanto durarem nossas palavras”.

Trecho do livro 

“Este, leitores, não é o filho de Enoque, que viveu mais que qualquer mortal, embora o nome trace parecenças de costume e alma. Este, mais modesto, é Noe Matusalém, filho de Pedra das Flores, da família de Genésio, o seleiro. A diferença entre um homem e outro, datando de séculos, é tão desproporcional como a que existe entre espécies diversas de animais. Montaigne é que sabia disso, com o tempo que avalia e desagrega. E foram Os ensaios, para Matusalém, em boa parte, um foie gras de gustativo livro na cabeceira da fome. E toda verdade é pantagruélica. Com demência de amor nas artérias e civilização avançando pela infância. E essa, pela civilização. Noe Matusalém não se anunciava, impunha-se. Muito alto, ossudo, tez clara e olhos que ardiam. Calçava sapatos grandes, casaco e calça de brim azul. E, se diziam que se vestia mal, não reparava. Comentando: – Não é o que sou que veste a roupa, é a roupa que veste aquilo que sou! Em face da robusta e elevada compleição, não se dava conta da idade. A silhueta o destacava, ao atravessar a principal praça da cidade. Amiudadas vezes tinha um séquito, pelo carisma que seduzia com o dom de conselho ou de tutela , quando as pupilas avultavam.”

"Se alguém o comparava ao outro Matusalém, filho de Enoque, que aparece no livro do Gênesis, ele se ria muito, comentando que aquele delirava entre sonho e vigília, existindo entorpecido num tempo em que os homens viviam da caça e faziam vestes e calçados com as peles. Com séculos de diferença, ele morreu, Noe Matusalém não pretendia morrer nunca. Não sabe como. Nem carecia de saber o que era maior do que ele. Mas esse não saber é parte do milagre. E o milagre se inventa sozinho. O que importa no milagre é a entonação".

autor