• Minhas compras
  • Entrar

Mudamos nossa loja virtual para melhor atendê-lo. Se você já é cliente, utilize a funcionalidade de "Esqueci minha senha" para atualizar seu acesso e fazer o login.

Minhas Compras

Não há produtos no carrinho.

Soledad no Recife

Urariano Mota

R$ 35,00 Comprar

Soledad no Recife
  • autor: Urariano Mota
  • prefácio: Flávio Aguiar
selo:
BOITEMPO EDITORIAL
páginas:
120
formato:
23cm x 16cm x 2cm
peso:
160 gr
ano de publicação:
2009
ISBN:
9788575591383

'Urariano Mota criou uma ficção tão impressionante que parece verdade' - Flávio Aguiar

O livro Soledad no Recife percorre as veredas dos testemunhos e das confissões ao reviver a passagem da militante paraguaia Soledad Barret pelo Recife, em 1973, e a traição que culminou em sua tortura e assassinato pela ditadura militar.

Delatada pelo próprio companheiro Daniel, conhecido depois como Cabo Anselmo, Soledad morre com um grupo de candidatos a guerrilheiros, na capital pernambucana, pelas mãos da equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury. O episódio ficou conhecido como “O massacre da chácara São Bento” e revelou-se mais um extermínio do que um confronto armado.

A trama real inspira o romance em que Urariano Mota – com a propriedade de que viveu e sobreviveu aos anos pós 1964 – resgata os vestígios da traição arquitetada contra Soledad e contra o país naqueles tempos, com o olhar reflexivo de quem volta ao passado. A vida e morte de Soledad é um forte contraponto a “história oficial” propagada pela mídia na época e um testemunho da violência do Estado.

Nas palavras de Flávio Aguiar, que assina a apresentação da obra, Soledad no Recife é a recuperação de uma história, “como preito àquelas vidas que se doaram e foram ceifadas pela traição inesgotável que foram o golpe e à ditadura de 1964 ao seu próprio país – traição espelhada na de Anselmo ao amor que, sabe-se lá por que, despertou em Soledad”.

Trecho do livro

Naqueles anos, o amor era uma alienação. É claro, disso sabemos agora. Se nos afirmassem isso então, reagiríamos irritados. Sem pensar, haveríamos de dizer: “na ordem do dia, existem ações mais urgentes que namorar e tocar as mãos”. E namorar e tocar as mãos, que púnhamos no lugar do amor, era uma brutalidade para destacar o ridículo de ficar pegando mãos, em lugar do mais prático e forte, foder e foder para toda a vida. Era uma brutalidade que não reconhecia na ternura uma instância legítima.

Trecho da Apresentação de Flávio Aguiar

De qualquer modo, nas ditaduras não se perde apenas a liberda¬de de expressão, como vê o pensamento liberal. Sim, perde-se o espaço da expressão, mas também o amor perde a liberdade. Ele é tornado impotente. As pessoas ficam isoladas, amargas, cobertas anos e anos por cicatrizes. Os que veem a morte de frente, às vezes de olhos arregalados na tortura, sabem por que estão morrendo: de certo modo, foram traídos pelo próprio amor. Os que sobrevivem, não sabem por que sobreviveram: são traídos no seu amor-próprio.