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Fronteiras do trabalho
migração decasségui e reprodução social
Disponível a partir de: 17 de agosto de 2026

Os trabalhadores imigrantes no Japão são conhecidos como decasséguis, que significa algo como “sair para trabalhar”. A comunidade brasileira que vive no arquipélago nessas condições contabiliza mais de 200 mil pessoas, em 30 anos de fluxo migratório. Em Fronteiras do trabalho: migração decasségui e reprodução social, nova obra da coleção Mundo do Trabalho, Mariana Shinohara Roncato investiga o fenômeno migratório sob as lentes de classe, gênero, raça e etnia, entrelaçados à teoria da reprodução social.  
 

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Roncato, que viveu dez anos como imigrante no Japão, retorna à cidade de Toyota para uma pesquisa in loco sobre as condições de trabalho dos brasileiros que trabalham nas fábricas da montadora de mesmo nome, bem como em uma série de outros empreendimentos e serviços locais. Com o constante encolhimento da população japonesa, a necessidade laboral de imigrantes só cresce. A carência da força de trabalho japonesa, somada à questão econômica, conflitos étnicos e de gênero, gera contradições visíveis que se manifestam no país por meio da exploração e opressão.  

A partir da investigação de como se produz e mantém essa força de trabalho no Japão, a autora apresenta as disparidades salariais e de jornada entre japoneses, brasileiros, homens, mulheres, e outros imigrantes: “Em média, um decasségui trabalha seis dias por semana, com uma jornada diária de trabalho de dez, doze horas, podendo chegar a mais horas dependendo da produção. Diferentemente de trabalhadores com contratos por tempo indeterminado – os japoneses –, o decasségui recebe por hora, por isso a necessidade de cumprir horas extras para assegurar sua subsistência e, se possível, constituir uma poupança”.  

“A existência da força de trabalho imigrante constitui-se como funcional ao capital em diversos sentidos, tais como: rebaixar o preço da força de trabalho local; aumentar a concorrência entre trabalhadores; fragmentar a classe social; legitimar certas políticas repressivas e de controle da população; suprir a carência de força de trabalho em alguns setores, entre outros. 
O caso decasségui também parece se encaixar nas funcionalidades descritas acima. Embora a carência de força de trabalho na indústria japonesa tenha atraído nikkeis espalhados pelo mundo, o mercado japonês não pode absorver toda essa população, tampouco garantir a ela estabilidade do trabalho. Isto é: há, por parte do capital, a constante necessidade de manter um contingente a margem dos direitos sociais auferidos para a população, subempregados e submetidos a relações informais, alta rotatividade de trabalho e ameaça de desemprego”. 
Apoio de Fapesp
Autoria de Mariana Shinohara Roncato 
Capa de Maikon Nery
Prefácio de Ricardo Antunes
Texto de orelha de Juliana Sayuri
Texto de quarta capa de Lívia Moraes
Páginas: 272
Formato: 23cm x 16cm x 2cm
Peso: 350g
Ano Publicação: 2026
Encadernação: Brochura
ISBN: 9786557175736