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Meu país, a África
autobiografia da pasionaria negra
Autoria de Andrée Blouin
Disponível a partir de: 8 de junho de 2026.

Meu país, a África, autobiografia da revolucionária Andrée Blouin, é um potente relato sobre as lutas anticoloniais na África nas décadas de 1950 e 1960. Blouin narra sua infância em um país africano colonizado, em meio aos maus tratos e discriminações sofridos num orfanato religioso europeu. Com linguagem acessível, a autora conta que se politizou após a morte de seu filho René, de dois anos, depois que a administração local de Bangui lhe negou comprimidos de quinina, por ele não ser branco.  
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Ao longo das quatro décadas seguintes, se dedicou incansavelmente na luta por uma África liberta do imperialismo ocidental. Andrée atuou ativamente na campanha de?Sékou?Touré pela independência e testemunhou de perto a tragédia congolesa como assessora de Patrice?Lumumba, cuja prisão e assassinato narra com detalhes. A obra traz uma visão abrangente do nacionalismo?pan-africano, com destaque para a frequente contribuição das mulheres nas lutas de independência.? 

“O colonialismo produzia essas crianças porque podia – e depois fingia não as ver, porque também podia. Num?orfanato católico de Brazzaville para meninas de parentalidade mista, as freiras ensinaram-lhe que sua existência era um pecado. Este livro conta como essa criança educada para o silêncio se tornou uma das vozes mais incômodas durante as?descolonizações africanas”, escreve Kalaf Epalanga no texto de orelha.  

Trecho do livro

Foi no meu aniversário de oito anos que a verdade chocante a respeito das pessoas negras fora de nossos muros chegou até mim. Nunca vou me esquecer de como tudo aconteceu, às cinco horas da tarde. Já naquela manhã havia algo estranho no ar. Eu sentira que havia uma agitação entre as freiras, embora elas parassem de cochichar e fechassem a cara quando alguma de nós se aproximava. Então, na hora das vésperas, íamos caminhando para a capela, duas a duas, como de hábito, quando de repente o silêncio foi rompido por um grito prolongado. Muitos anos já se passaram desde então, mas ainda me lembro daquele grito que transpassou o ar quente e nos fez estremecer. Só um sofrimento inumano seria capaz de arrancá-lo de uma garganta humana. Depois de um instante, outros gritos se levantaram, igualmente terríveis. Não era só um, mas vários homens estavam compartilhando o mesmo destino aterrador. Para chegar à capela, tínhamos de atravessar um passeio central que ia dar na entrada principal do orfanato, um portão de ferro batido, sempre fechado a corrente e cadeado. Pelas grades do portão podíamos enxergar a rua. Acorrentados uns aos outros e com os pulsos amarrados atrás das costas, homens eram conduzidos por guardas negros armados de chicotes. Cerca de vinte metros nos separavam daquele cortejo lastimável. Longos fios de sangue escorriam pela pele negra dos prisioneiros. Os infelizes pareciam estar nus. Num reflexo apavorado de minha formação, fiz o sinal da cruz e pedi a Deus que tivesse piedade deles”.

Autoria de

Autoria de Andrée?Blouin, com colaboração de Jean MacKellar 
Capa de Julia Custodio
Prefácio de Adom Getachew e Thomas Meaney
Texto de orelha de Kalaf Epalanga 
Texto de quarta capa de Patrice Lumumba e China Miéville 
Tradução de Monica Stahel 
Título?original: My country, Africa: Autobiography of the Black Pasionaria 
Páginas: 302
Formato: 23cm x 16cm x 2cm
Peso: 300g
Ano Publicação: 2026
Encadernação: Brochura
ISBN: 9786557175675