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Tempo esquisito
Autoria de Maria Rita Kehl
Reflexão instigante sobre a realidade brasileira. Abordando temas atuais como racismo, violência policial e desigualdade social, a autora tece conexões significativas com a história e a cultura do Brasil. Uma análise crítica que desafia o leitor a repensar o país e seu papel na sociedade.
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Tempo esquisito traz para o leitor um conjunto de reflexões e análises, em sua maioria feitas durante o período da quarentena da Covid-19: "Diante de tanta tristeza, escrever foi uma forma de ocupar o espaço do debate público sem romper o isolamento físico. Uma forma de estar com os outros", conta ela no Prólogo.

Nos textos, Maria Rita Kehl aborda temas recorrentes desde 2019 – início do mandato de Jair Bolsonaro na presidência –, como saúde pública, negacionismo, violência policial, indiferença e desigualdade social. Há artigos, por exemplo, sobre o linchamento do congolês Moïse Kabagambe, no Rio de Janeiro, em 2021, e sobre o assassinato de Genivaldo dos Santos, morto pela Polícia Rodoviária Federal, em 2022, em Sergipe. Mas, lembrando que "não somos só isso", nesta obra trata também de música, cinema, teatro – além, claro, de psicanálise, seu campo principal de atuação.

A autora recorre ao conceito de Hannah Arendt sobre a banalidade do mal para estabelecer um paralelo com a realidade brasileira:  Ciente de ter desvirtuado a expressão em relação ao contexto em que fora criada, insisto em resgatá-la aqui para qualificar, com outro sentido, a leviandade com que muitas pessoas se sentem autorizadas a praticar ruindades contra indivíduos vulneráveis. Ou a indiferença com que se eximem de qualquer gesto de solidariedade em relação à multidão de miseráveis que aumenta a cada dia nas cidades do país , argumenta, num exercício intelectual sagaz e despido de ilusões.
 

Trecho do livro

O tráfico de drogas não é antagônico às economias de mercado: é sua extensão selvagem. As sociedades ditas liberais convivem com ele por uma afinidade lógica: os lucros astronômicos formados com base em trabalho escravo (voluntário) falam a mesma língua de outras formas de acumulação acelerada de capital. O capital financeiro, por exemplo, cuja lógica dispensa a negociação política, também nos esteriliza para sonhar com um mundo mais justo. O tráfico, como o capitalismo, produz os sujeitos dos quais se alimenta. De um lado, no asfalto, estão os consumidores do único meio de gozo tão potente que dispensa a publicidade. Do outro, na linha de montagem e na distribuição, está um exército de servidores voluntários. São escravos: quem entrou, só sai morto. As crianças sabem disso, mas entram. Não há poder mais eficiente do que aquele que se sustenta sobre o desejo dos dominados.

Autoria de Maria Rita Kehl
Texto de orelha de Tiago Ferro
Capa de Antonio Kehl, sobre foto da autora
Número de páginas: 192
Dimensões: 23 x 16 x 2 cm
Peso: 270,8 g
ISBN: 9786557172407
Encadernação: brochura
Ano de publicação: 2023