Viagem de Petersburgo a Moscou

Aleksandr Radíschev

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Viagem de Petersburgo a Moscou
  • autor: Aleksandr Radíschev
  • tradução, apresentação e notas de: Paula Vaz de Almeida
  • orelha: Raquel Toledo
  • capa: Antonio Kehl, sobre projeto gráfico de capa de Rafael Nobre e imagem A queda de Nóvgorod, de Klávdi Lebediev, 1891 (Wikimedia Commons)
  • apoio: Instituto Perevoda
título original:
Путешествие из Петербурга в Москву / Putiechéstvie iz Peterburga v Moskvu
edição:
1
coleção:
Clássicos Boitempo
selo:
Boitempo
páginas:
248
formato:
21cm x 14cm x 1cm
peso:
300 Gramas
ano de publicação:
2023
encadernação:
brochura
ISBN:
9786557172100

Publicado pela primeira vez em português e com tradução direta do russo, Viagem de Petersburgo a Moscou é a principal obra de Aleksandr Radíschev, considerado o fundador da tradição revolucionária na literatura russa. Em seu relato de uma viagem fictícia de São Petersburgo a Moscou, através de uma rota postal que passa por diferentes cidades, Radíschev retrata um quadro em que sobressaem a injustiça social, a miséria e a brutalidade. Incorporando elementos diversos para construir sua narrativa, o autor, ao expor as mazelas do Império Russo, oferece também uma crítica à servidão, à autocracia e à censura.
 
Considerado por muitos revolucionários o primeiro de uma linhagem de escritores russos que fizeram de sua obra veículo privilegiado para transmitir uma mensagem de transformação social, o autor cria uma língua literária singular. Lançado pela primeira vez em 1790, no reinado de Catarina II e um ano após a Revolução Francesa, a obra irritou a imperatriz. Condenado, Radíschev foi enviado para um exílio interno na Sibéria, onde passou quase seis anos longe de sua família. Pouco tempo depois do cumprimento de sua pena, Radíschev colocaria fim a seus dias, vindo a falecer em 24 de setembro de 1802.

 
Trecho


“O que é, afinal, o direito do povo?
Os povos, dizem os professores de direito, encontram-se uns em consideração aos outros na mesma posição em que uma pessoa se encontra em relação a outra em estado natural.
Pergunta: quais são os direitos de uma pessoa em estado natural?
Resposta: olha para ela. Está nua, com fome, com sede. Apoderar-se-á de tudo o que puder pegar para satisfazer suas necessidades. Se algo quer impedi-la, remove o obstáculo, destrói e obtém o desejado.
Pergunta: se, em vias de satisfazer sua necessidade, encontra um semelhante, se, por exemplo, duas pessoas, sentindo fome, desejam saciar-se com a mesma porção: qual das duas tem mais direito à obtenção?
Resposta: aquela que conseguir pegar a porção.
Pergunta: quem consegue pegar a porção?
Resposta: o mais forte.
Porventura, não seria esse o direito natural, não seria essa a base do direito do povo?!
Exemplos de todos os tempos testemunham que o direito sem a força é sempre, na sua execução, letra vazia”.