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A era da indeterminação

Este livro estará disponível a partir de: 18/10/2017
A era da indeterminação
  • organizador: Francisco de Oliveira
    Cibele Saliba Rizek
edição:
1
coleção:
Estado de sítio
selo:
Boitempo
idioma:
Portuguese
páginas:
376
formato:
21cm x 14cm x 2cm
peso:
450 gr
ano de publicação:
2007
encadernação:
Brochura
ISBN:
9788575590966

'...este tempo político morto no qual giramos em falso justamente 'depois do desmanche' do país' – Paulo Arantes

Desmanche. Da representação, da política, do público, da sociedade, das instituições, da democracia e da participação justamente quando estas pareciam mais próximas do que nunca, com o fim da ditadura militar. O novo livro da coleção Estado de Sítio, A era da indeterminação, é um projeto do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (Cenedic), que investiga a privatização das decisões, a redução da esfera pública e o estado de exceção como paradigma de governo. Inspirado nas ideias de Francisco de Oliveira, autor de dois artigos e co-organizador junto com Cibele Saliba Rizek, o livro avança sobre o campo de compreensão das contradições da realidade brasileira, aberto a partir do ensaio 'O ornitorrinco', publicado em 2003 pela Boitempo. Percebe-se, nos vários fragmentos do quebra-cabeça brasileiro analisados na obra, a sombra do peculiar animal, que para Oliveira simboliza o estranhamento em relação ao estágio de desenvolvimento atual. A era da indeterminação é justamente a ruptura da possibilidade de uma dinâmica que ligue classes, interesses e representação nas formas da política e nas ações de governo. O desligamento da economia da política. E uma crise de representatividade cuja solução decididamente não se encontra em uma discussão cosmética e oportunista de reforma política.Na primeira parte do livro, Francisco de Oliveira define e mostra as origens desse cenário na economia, na política e na cultura. Roberto Véras de Oliveira e Leonardo Mello e Silva analisam, na segunda parte, as mudanças no mundo do trabalho e o esvaziamento do papel político dos sindicatos como representantes da classe trabalhadora. Na terceira parte, o alcance limitado e a tímida bandeira - hoje esquecida - do orçamento participativo aplicado pelo PT na Prefeitura de São Paulo contrastam com a forte repressão governamental, ao tratar como caso de polícia reivindicações políticas organizadas por movimentos sociais.Maria Célia Paoli analisa os mecanismos que, por meio de ONGs e programas focalizados, produzem e fazem a 'gestão' das populações 'supérfluas' nas cidades e nas ações sociais, míseros grãos de areia em um cenário de enorme desigualdade como o da sociedade brasileira. A autora aborda também a questão da 'manutenção da insegurança', por meio da ação de repressão e contenção da violência dentro dos limites de áreas onde ela é 'aceitável' para o Estado.Francisco de Oliveira, em 'O momento Lenin', seu segundo ensaio na coletânea, faz uma análise aguda do governo Lula e da maçaroca político-econômica em que surfa o presidente. Laymert Garcia dos Santos, a partir do conceito de estado de exceção discutido por Giorgio Agamben em outro título dessa mesma coleção, explora as questões de fundo da relação entre tecnociência e capital global para discutir a validade do conceito como paradigma de governo no mundo contemporâneo.Encerra o livro o original ensaio de Luiz Roncari, que relaciona análise literária (nesse caso, a poesia de Carlos Drummond de Andrade) com história e política (o 11 de Setembro e a guerra ao terror), motivado pela circulação na internet do poema 'Elegia 1938', em que o poeta itabirano enunciava: 'não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan'. Um texto que retrata a tensão de um mundo entre bombas, muros, condomínios fechados, força militar e ações desesperadas e suicidas, políticas e/ou poéticas.

Trecho do livro

“As políticas assistencialistas, que são na verdade políticas de funcionalização da pobreza, são a contraparte desse movimento de verdadeira liquidação da classe em curso no desenvolvimento brasileiro.(...) A erosão da base classista e a não-representatividade dos partidos e outras organizações políticas, como os próprios sindicatos, produzem um curto-circuito que é fatal para a política e para o exercício de governo.” 
Francisco de Oliveira