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Um moralista nos trópicos

o Visconde de Cairu e o Duque de La Rochefoucauld

Pedro Meira Monteiro

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Um moralista nos trópicos
  • autor: Pedro Meira Monteiro
  • prefácio: Joaquim Brasil Fontes
  • posfácio: Emmanuel Bury
  • editor: Fapesp (coedição)
selo:
BOITEMPO EDITORIAL
páginas:
328
formato:
21cm x 14cm x 2cm
peso:
350 gr
ano de publicação:
2004
ISBN:
8575590529

Em Um moralista nos trópicos, Pedro Meira Monteiro lança-se em uma tarefa inusitada: comparar as obras de um conservador – José da Silva Lisboa, o Visconde de Cairu (1756-1835) – e um fantasma que teima em apresentar – o francês Duque de La Rochefoucauld (1613-1680).

Compreendendo os cruzamentos, entendimentos e desentendimentos dos autores, o leitor será levado a dialogar com um dos fundadores do Império brasileiro (Cairu) e uma das testemunhas mais agudas da decadência da aristocracia moderna (La Rochefoucauld). Entre os dois, o Atlântico, várias décadas e a Revolução Francesa, que mudou a forma de se ver o mundo.

Aí o balanço deste ensaio, e das leituras que ele aos poucos desvenda: às ruínas da ordem social, contrapõe-se o edifício do Estado; contra o veneno da palavra mundana, ministra-se o remédio do catecismo civil e cristão; à decadência, opõe-se o discurso da ordem.

Sondando o caráter construtivo da palavra voltada para a cidade, vemo-nos diante de uma encruzilhada: erguer a sociedade política é conservá-la (contra a sua dissolução) e, portanto, há que se encontrar o seu justo termo, seu desenho perfeito, a conformação política capaz de conter o desvio dos cidadãos. “Desvio” que não é apenas o comportamento aberrante do indivíduo, mas a iminência da dissolução das regras coletivas, que se dá no ímpeto de liberdade do sujeito. Moralismo.

Nestes tempos de suposta dissolução moral, as reflexões contidas neste livro podem sugerir que o recrudescimento do pensamento conservador não é apenas mais uma resposta à ruína da ordem política, mas, porventura, toda e qualquer ordem política é que no fundo precisa da ameaça da dissolução para confirmar-se.

O convite à leitura, assim poderia ser formulado: leiamos com cuidado os conservadores; talvez, tenhamos mais a ver com eles do que podemos ou gostaríamos de admitir.

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